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Recife

Nova lei dificulta concurso na UFPE

  • Marcio Souza
Nova lei dificulta concurso na UFPE

(Campus Vitória de Santo Antão - AVV Imagem).

Uma lei que entrou em vigor em março, proibindo que universidades federais exijam títulos de mestre ou doutor para candidatos em seus concursos de professor está sendo criticada por docentes e especialistas de educação e já provocou a suspensão de duas seleções na UFPE. Os concursos que preencheriam uma vaga em física e outra em química foram adiados porque os departamentos temem que a abertura de inscrições para concorrentes com apenas graduação atraia um contingente muito grande e provoque atrasos na seleção.

As coordenações vão aguardar a revisão da lei, que já está em análise pelo MEC. Outro concurso, com 75 vagas para diferentes áreas, foi mantido pela UFPE, com adaptações no edital. Os professores também consideram a norma um retrocesso, já que reduz o nível de qualificação exigido.

Professores da instituição elaboraram manifesto ressaltando a insatisfação com a lei 12.772, que define o Plano de Carreiras e Cargos de Magistério Federal e foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente Dilma Rousseff. O documento chegou às mãos do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o MEC reconheceu que são necessárias alterações.

“A nova regra vai contra os programas federais. Enquanto manda milhares de estudantes para pós-graduação no exterior, o governo define que para ser docente basta graduação”, pontuou o chefe do Departamento de Química da UFPE, Ricardo Longo. Atualmente, 90% dos docentes das federais são pós-graduados. “Mesmo que o erro seja revisto, já houve desgaste com as suspensões”, ressaltou Longo. O presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe), José Luís Simões, afirma que os concursos em andamento estão prejudicados. “Muitas pessoas estão se inscrevendo e o processo vai ser difícil de ser realizado”, opinou.

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