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NE: gestores reavaliam usina nuclear na região

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Governadores se preocupam com a segurança em possível unidade


BRASÍLIA (ABr) – O acidente nuclear ocorrido na Usina de Fukushima, no Japão, voltou a colocar em pauta no mundo a segurança das usinas nucleares. E, no Brasil, alguns governadores do Nordeste decidiram reavaliar se a região deve receber uma das quatro novas usinas que o Governo Federal pretende construir no País até 2030. “Quem é que vai, em meio à atual discussão, (dizer) ‘eu que­ro agora uma usina nuclear para o meu estado’”, disse o governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), à Agência Brasil.

Para Martins, o projeto deve ser “repensado”. O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), também já havia mencionado, em nota, a necessidade de o País rediscutir a expansão da matriz nuclear com segurança. “A pretensão do estado de Sergipe em disputar a instalação de uma usina no nosso território pressupõe garantias plenas de segurança das instalações”, afirmou o governador, cuja preocupação recebeu o apoio inclusive do setor produtivo sergipano.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também tem repetido que a população po­de ficar tran­quila, pois qual­­­quer decisão quanto à instalação de novas usinas deve demorar ao me­nos quatro anos, tempo suficiente para que os aspectos de segurança sejam discutidos. “Entendemos as preocupações de muitos quando ocorrem eventos como os do Japão. No caso brasileiro, porém, temos que entender que nosso programa nuclear é muito maior que uma usina nuclear e não pode ser estigmatizado. No tocante à geração de energia, é preciso ter em mente que não há qualquer decisão para a construção de novas usinas”, disse.
Para o professor de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa, o Brasil deve aguardar o desenvolvimento de novas tecnologias de construção e funcionamento de usinas nucleares antes de incrementar o programa brasileiro. Em audiência pública no Senado, na última quarta-feira, Pinguelli disse que, a partir de 2020, começará a instalação de usinas de terceira e quarta geração, que serão mais seguras, econômicas, produzirão menos rejeitos e terão controle digital.

(Folha de Pernambuco).