
Publicado em 20.05.2009
Coluna JC Negócios
No meio da festa regada a nuggets, presuntos fatiados, além de pizzas e lazanhas, tudo isso sobre a camisa do Corinthians, não dá para esconder que a Brasil Foods nasce com cara de estatal da comida, onde os fundos de previdência de servidores públicos terão mais de 31,1 %, enquanto os antigos donos se contentam com 12,3% do capital de uma empresa que, a despeito de faturar mais R$ 22 bilhões, chega ao mercado com uma dívida de quase R$ 10 bilhões.
Não é à toa que no mercado se diz que a Brasil Foods só surgiu como decorrência das perdas provocadas pela crise global. Bom para o mercado de alimentos (e para o Brasil), seria se Perdigão e Sadia continuassem a crescer comprando empresas do setor espalhadas pelo mundo para, quem sabe no futuro, se juntarem por força da necessidade de atuação em nível global, com o perfil de empresa caçadora de bons ativos.
É uma situação bem diferente da Ambev e da JHS-Friboi, que com gestão brasileira compraram empresas internacionais e estão implantando nesses países o jeito Brasil de gerir negócios.
A Brasil Foods nasce para salvar o que foi possível de duas empresas que, separadamente, orgulham os brasileiros pela competição que travavam. Temos, portanto, uma gigante que tem o domínio de fundos de pensão dos empregados do setor público e que ainda vai precisar de mais dinheiro do governo através do BNDES para reduzir passivos.
Talvez seja por isso que a Bovespa tenha reagido com queda tão forte de suas ações. Fusões sempre provocam esse fenômeno no dia da comunicação ao mercado, mas no caso da Brasil Foods, o recado é que temos ali um abraço de afogados.
Será que teremos duas fábricas ?
Gente do setor de logística e distribuição já especulava ontem sobre o futuro dos projetos aprovados pela Sadia e Perdigão em Pernambuco.
Uma vez aprovada pelo Cade, faria sentido a CD da Perdigão se juntar a da Sadia em Vitória de Santo Antão ?
Também poderia ser mantido o projeto da Batavo, em Bom Conselho, escolha da companhia depois de estudos para ocupar o interior do Nordeste. Mas será que a Brasil Foods vai manter dois projetos de embutidos de baixo custo, segmento que em cada Estado tem concorrência local?
(Jornal do Commercio).
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