Quanto mais tempo passa, aparecem novas denúncias em relação à conduta do Presidente do Senado. Criar métodos escusos ou utilizar-se de argumentos retóricos para tentar convencer o povo de que tudo não passa de uma perseguição por parte da mídia, é achar que ainda se vive em uma época onde as informações são restritas e conseqüentemente, fácil de manipular.
Na verdade, as denúncias que são atribuídas ao presidente do Senado são reflexos de uma velha prática do Estado patrimonialista e o velho nepotismo que ainda possui bastante musculação no comportamento de uma parcela significativa da chamada e tão amada classe política brasileira. O interessante em tudo isso, é que quando se descobre as irregularidades os acusados geralmente sofrem de amnésia, ou seja, não lembram e alguns se quer sabem de alguma coisa.
Mas recentemente, as declarações do ilustre Chefe do Poder Executivo Federal de que o Ministério Público deve levar em consideração a biografia dos acusados, desperta certa aflição, vez que, alguém que ao longo dos anos por circunstâncias alheias a sua vontade, não conseguiu enriquecer sua biografia de honra ao mérito já partirá em desvantagem. Ora, uma biografia ilibada é importante, mas jamais deverá ser determinante em relação ao oferecimento ou não da denúncia. Já nos basta a teoria lombrosiana.
Quem exerce algum cargo público sabe muito bem da cobrança em relação ao seu comportamento na sociedade, a própria Bíblia não diz que quem muito recebe muito será cobrado. As benesses do poder fazem com que muitos não saibam como conviver com ela, produzindo um ser totalmente distante de como realmente se deve viver.
por Hely Ferreira,
Cientista político.








