Publicado em 25.10.2008
P.S. – Até o dia 2 de novembro, está aberta a visitação, no Museu do Estado (fone 3184-3177), a exposição Alex – 60 anos de jornalismo. Nosso colega de jornal Alex é uma figura simbólica de toda uma era do jornalismo pernambucano, que dá grande importância à crônica social, inspirando aqueles cronistas que vieram depois, como o talentoso João Alberto, o meu falecido amigo Moysés Kertsman, o saudoso Orismar Rodrigues e sua continuadora, nossa gentil coleguinha Roberta Jungmann.
por Juracy Andrade
Quando uma multidão festiva começou a derrubar o Muro de Berlim, em 1989, os que não gostam de muros e preferem fronteiras abertas festejaram. O nipo-americano apressadinho Fukuyama chegou a dizer que era o “fim da história”. Com a vitória do liberalismo, claro, do capitalismo, do American way of life promovido a ideal de vida em estado de graça. Não foi assim. A guerra fria continua mesmo sem a URSS. A economia planejada e regulada, a busca do pleno emprego e de uma sociedade mais justa, o socialismo, o comunismo continuaram firmes, e quem está se estrepando agora, com a queda do Muro de Nova Iorque (simbolizado em Wall Sreet, Rua do Muro), é exatamente o liberalismo econômico exacerbado.
Nas últimas décadas, sob a égide de Margareth Thatcher e de Ronald Reagan, essa corrente tornou-se hegemônica entre gurus e líderes capitalistas (o que Delfim Netto chama de “pensamento único”), logo contaminando nossos tecnoburocratas, sempre empenhados em servir a interesses estrangeiros. E tome atraso para Brasil, Argentina e outros países latino-americanos, passando pelos diversos continentes. Até a velha Europa, que, cansada de guerra e com medo do comunismo, incrementara com sucesso, no pós-guerra, o Welfare State (Estado de Bem-estar), amarelou, cortando vantagens trabalhistas, fomentando crises sociais.
A ordem era incensar e adorar o deus Mercado e encurtar o Estado e suas regulações. De repente, o resultado anunciado por alguns clarividentes: a especulação financeira perde altura e quebra o focinho no chão duro da realidade econômica. Logo os fiéis do moderno Baal se lembram do velho Estado, ídolo dos atrasados, para pedir um riquíssimo penico de trilhões de dólares e euros. E os lucros desses baronetes? Não interessa, agora é socializar os prejuízos.
O novo crash de Wall Street significaria o triunfo da economia planejada? Viriam aí as regulações descartadas pelos mercadólatras? Talvez nem tanto. Mas é certo que voltam à moda liberais não fundamentalistas, mais ajuizados, como John Keynes e Paul Krugman. Se Lula acordar, o blindado Meirelles (BC) e os Chicago boys (crias da Universidade de Chicago) sobreviventes vão perder os empregos.
Lembro ainda que o Muro de Berlim, resultado do belicismo estadunidense pós-Roosevelt, caiu, mas aqueles mesmos que tanto o satanizavam se esmeram em erguer muros por toda parte: na fronteira entre Estados Unidos e México, na Palestina ocupada, sem falar no muro virtual que cerca os países ricos para que os antigos colonizados ali não possam trabalhar. Tratar-se-ia, para os bem-pensantes, de muros “do bem”, segundo a doutrina Bush 2º, como haveria as ditaduras “do bem”, o terrorismo “do bem”, que tanto “bem” fazem pelo mundo “livre” a fora. Estaríamos voltando aos tempos de Tróia, do Império Romano, da Idade Média, com seus muros que de pouco adiantavam?, caíam e arruinavam impérios arrogantes?
Lembro ainda que o Muro de Berlim, resultado do belicismo estadunidense pós-Roosevelt, caiu, mas aqueles mesmos que tanto o satanizavam se esmeram em erguer muros por toda parte: na fronteira entre Estados Unidos e México, na Palestina ocupada, sem falar no muro virtual que cerca os países ricos para que os antigos colonizados ali não possam trabalhar. Tratar-se-ia, para os bem-pensantes, de muros “do bem”, segundo a doutrina Bush 2º, como haveria as ditaduras “do bem”, o terrorismo “do bem”, que tanto “bem” fazem pelo mundo “livre” a fora. Estaríamos voltando aos tempos de Tróia, do Império Romano, da Idade Média, com seus muros que de pouco adiantavam?, caíam e arruinavam impérios arrogantes?
P.S. – Até o dia 2 de novembro, está aberta a visitação, no Museu do Estado (fone 3184-3177), a exposição Alex – 60 anos de jornalismo. Nosso colega de jornal Alex é uma figura simbólica de toda uma era do jornalismo pernambucano, que dá grande importância à crônica social, inspirando aqueles cronistas que vieram depois, como o talentoso João Alberto, o meu falecido amigo Moysés Kertsman, o saudoso Orismar Rodrigues e sua continuadora, nossa gentil coleguinha Roberta Jungmann.*** Meu sobrinho Mano (Manoel de Holanda Cavalcanti Neto) foi reeleito vereador, em Vitória de Santo Antão, com a segunda maior votação. É um autêntico representante do povo (geralmente, os políticos só representam interesses endinheirados). Luta bravamente para que a política vitoriense volte a atender aos interesses da sociedade.
» Juracy Andrade é jornalista







