Visitas: 9

A Voz da VitóriaA Voz da Vitória

Mulheres na política

  • A Voz da Vitória

Publicado em 18.06.2010

Ana Arraes
dep.anaarraes.pe@gmail.com

O engajamento das mulheres brasileiras no processo eleitoral é a forma mais eficaz de aumentar a participação feminina nas decisões políticas. Dados fornecidos pela Pesquisa de Informações Básicas Municipais, recentemente divulgada pelo IBGE, mostram que apenas 9,2% das prefeituras do País são chefiadas por mulheres.
Isto significa que existem somente 512 prefeitas no Brasil. Embora tenha havido um crescimento da presença das mulheres nas prefeituras, uma vez que em 2005 elas ocupavam 8,1% do total, entendo que esta participação ainda é tímida e que precisa ser estimulada.

Está na hora de mudar tal realidade, principalmente por estarmos às vésperas de uma eleição na qual serão escolhidos além do novo presidente do Brasil, governadores e senadores, também deputados federais e estaduais. Este ano as mulheres têm um estímulo a mais para se candidatarem. É que a minirreforma eleitoral, aprovada no ano passado, determinou a obrigatoriedade de que cada partido ou coligação apresente em suas chapas proporcionais pelo menos 30% das vagas preenchidas por mulheres.

A reforma também assegurou que um percentual dos recursos do Fundo Partidário, nunca inferior a 5% do total, seja destinado à formação de quadros políticos femininos. Por fim, ficou definido que as mulheres inscritas numa chapa terão direito a 10% do tempo reservado à propaganda eleitoral gratuita dos partidos ou coligações a que estiverem vinculadas.

Tenho certeza de que a pequena quantidade de representantes femininas nas casas legislativas ou nos governos e prefeituras não se dá por falta de capacidade. O preconceito continua presente, inclusive no interior das famílias, e muitas vezes faz com que nem as próprias mulheres tenham confiança na sua capacidade.

A comprovação da competência feminina está explícita na pesquisa divulgada pelo IBGE. Ela mostra que em 96,7% das cidades brasileiras mulheres ocupam cargos de secretárias municipais. Mais da metade deste percentual refere-se a cidades nordestinas, o que deixa claro a grandiosidade da luta pela conquista de direitos de gênero na região, tradicionalmente marcada pelo predomínio ferrenho dos homens sobre suas esposas e filhas.

Para se ter uma ideia das dificuldades enfrentadas pelas mulheres na conquista de um cargo eletivo, basta lembrar que sou a única deputada federal da bancada pernambucana e a primeira a ser eleita neste século. É esta realidade que precisamos alterar para obtermos avanços significativos nas políticas públicas que se referem à igualdade de gêneros e à defesa dos interesses específicos do universo feminino.

por Ana Arraes,
é deputada federal pelo PSB.