Ana Arraes
dep.anaarraes.pe@gmail.com
Isto significa que existem somente 512 prefeitas no Brasil. Embora tenha havido um crescimento da presença das mulheres nas prefeituras, uma vez que em 2005 elas ocupavam 8,1% do total, entendo que esta participação ainda é tímida e que precisa ser estimulada.
Está na hora de mudar tal realidade, principalmente por estarmos às vésperas de uma eleição na qual serão escolhidos além do novo presidente do Brasil, governadores e senadores, também deputados federais e estaduais. Este ano as mulheres têm um estímulo a mais para se candidatarem. É que a minirreforma eleitoral, aprovada no ano passado, determinou a obrigatoriedade de que cada partido ou coligação apresente em suas chapas proporcionais pelo menos 30% das vagas preenchidas por mulheres.
A reforma também assegurou que um percentual dos recursos do Fundo Partidário, nunca inferior a 5% do total, seja destinado à formação de quadros políticos femininos. Por fim, ficou definido que as mulheres inscritas numa chapa terão direito a 10% do tempo reservado à propaganda eleitoral gratuita dos partidos ou coligações a que estiverem vinculadas.
Tenho certeza de que a pequena quantidade de representantes femininas nas casas legislativas ou nos governos e prefeituras não se dá por falta de capacidade. O preconceito continua presente, inclusive no interior das famílias, e muitas vezes faz com que nem as próprias mulheres tenham confiança na sua capacidade.
A comprovação da competência feminina está explícita na pesquisa divulgada pelo IBGE. Ela mostra que em 96,7% das cidades brasileiras mulheres ocupam cargos de secretárias municipais. Mais da metade deste percentual refere-se a cidades nordestinas, o que deixa claro a grandiosidade da luta pela conquista de direitos de gênero na região, tradicionalmente marcada pelo predomínio ferrenho dos homens sobre suas esposas e filhas.
Para se ter uma ideia das dificuldades enfrentadas pelas mulheres na conquista de um cargo eletivo, basta lembrar que sou a única deputada federal da bancada pernambucana e a primeira a ser eleita neste século. É esta realidade que precisamos alterar para obtermos avanços significativos nas políticas públicas que se referem à igualdade de gêneros e à defesa dos interesses específicos do universo feminino.
por Ana Arraes,
é deputada federal pelo PSB.







