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Movimento de Cultura Popular comemora 50 anos

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Conheça os fatos, os personagens e a história do movimento que pretendia educar as pessoas e acabar com o analfabetismo em Pernambuco e no Brasil

Na última quinta-feira (13), o Movimento de Cultura Popular completou 50 anos de fundação.
O movimento pernambucano que se tornou referência no Brasil foi criado no dia 13 de maio de 1960, como uma instituição sem fins lucrativos, durante a primeira gestão de Miguel Arraes na Prefeitura do Recife. O MCP, como ficou conhecido, foi responsável pela alfabetização de jovens e adultos pobres, e ajudou a revelar talentos na música, na pintura e no teatro.

O MCP recebeu diversas influências, principalmente de obras e autores franceses. Seu nome foi herdado do movimento francês Peuple et Culture (Povo e Cultura). Suas atividades iniciais eram orientadas, fundamentalmente, para conscientizar as massas através da alfabetização e educação de base.

Era constituído por estudantes universitários, artistas e intelectuais e tinha como objetivo realizar uma ação comunitária de educação popular, a partir de uma pluralidade de perspectivas, com ênfase na cultura popular, além de formar uma consciência política e social nos trabalhadores, preparando-os para uma efetiva participação na vida política do País. Sua sede funcionava no Sítio da Trindade, antigo Arraial do Bom Jesus, localizado no bairro recifense de Casa Amarela.

Participaram do MCP intelectuais e artistas conhecidos como Francisco Brennand, Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, Abelardo da Hora, José Cláudio, Aloísio Falcão e Luiz Mendonça. O movimento também contou com o apoio de instituições políticas de esquerda como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Partido Comunista, entre outras
Por causa do clima político existente na época, o MCP alcançou repercussão nacional, servindo de modelo para movimentos semelhantes criados em outros estados do Brasil.

O Movimento de Cultura Popular do Recife foi extinto com o golpe militar, em março de 1964. Dois tanques de guerra foram estacionados no gramado da sua sede, no Sítio da Trindade. Toda a documentação do Movimento foi queimada, obras de artes destruídas e os profissionais envolvidos foram perseguidos e afastados dos seus cargos.

HISTÓRIA – Incentivados pelo então prefeito do Recife, Miguel Arraes de Alencar, em 1959, intelectuais, artistas, médicos, jornalistas e professores criaram um movimento de mobilização em torno da resolução dos dramáticos problemas que afligiam a população pobre do Recife. O movimento se espalhou em Pernambuco e virou referência no Brasil.

O MCP tinha em seu estatuto propostas avançadas de educação, visando “desenvolver plenamente todas as virtudes do ser humano; proporcionar elevação do nível cultural do povo, preparando-o para a vida e o trabalho”, dentre outras.

No auge de sua atuação, em 1962, o MCP chegou a contar com 201 escolas, 20 mil estudantes, uma rede de escolas radiofônicas, centros culturais, centros de artes plásticas e artesanato, mais de 450 professores, galeria de arte e conjunto teatral.

A presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa, deputada Teresa Leitão, lembra a importância do movimento. “O sonho da educação popular, da pluralidade de perspectivas, além da formação de uma consciência política e social dos trabalhadores, são legados que herdamos do MCP e que devem servir de norte para a nossa e as próximas gerações”, disse Teresa, autora da homenagem.

Também participaram ativamente do MCP a professora Norma Porto Carreiro, Anita Paes Barreto, Sylvio Loreto, Geraldo Vieira, José Wilker, Arnaldo Marques, Paulo Freire (foto), Aluysio Falcão, Paulo Rosas, Ariano Suassuna, Francisco Brennand, Hermilo Borba Filho, Geraldo Menucci, Carlos Maciel, dentre muitos outros.

por Lissandro Nascimento,
com informações da Fundação Joaquim Nabuco.