
Mondelēz Brasil fecha acordo com Gás Verde para descarbonizar fábrica em Pernambuco. Unidade será a primeira da companhia na América Latina a integrar combustível renovável ao mix energético, com potencial de evitar 6 mil toneladas de CO₂e
A Mondelēz Brasil iniciou a incorporação de biometano em sua unidade de Vitória de Santo Antão, na Mata Sul de PE, tornando-se a primeira operação da companhia na América Latina a utilizar o combustível renovável no mix energético. A iniciativa ocorre em parceria com a Gás Verde, fornecedora do insumo.
O fornecimento será ampliado de forma gradual até atingir cerca de 100 mil metros cúbicos por mês, o equivalente a 1,1 milhão de metros cúbicos por ano. A expectativa é reduzir aproximadamente 6 mil toneladas de CO₂e ao longo do contrato, volume comparável ao plantio de cerca de 30 mil árvores.
Segundo Lais Drezza, gerente de ESG da Mondelēz Brasil, a estratégia está alinhada às metas globais da companhia, que prevê reduzir em 35 por cento as emissões na cadeia de valor até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050.
O biometano utilizado será produzido em Igarassu, no Grande Recife, na unidade da Gás Verde instalada no Ecoparque Pernambuco. A operação terá início com cerca de 50 mil metros cúbicos por mês, com expansão prevista a partir de 2027.
De acordo com Josué Evangelista, gerente de Compras de Energia LATAM da Mondelēz International, o contrato resulta de uma estratégia iniciada em 2023, com foco na diversificação da matriz energética e na substituição progressiva de combustíveis fósseis.
Produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários, o biometano é considerado uma alternativa de menor impacto ambiental, com aplicação em processos industriais e logísticos.
Para Eduardo Lima, diretor comercial da Gás Verde, o uso do combustível permite reduzir emissões diretamente associadas à atividade produtiva, reforçando o papel do biometano na transição energética da indústria. O abastecimento será feito a partir da conversão do biogás de um aterro sanitário em Igarassu, a cerca de 60 quilômetros de Vitória. Ele explica que a construção da planta já está em andamento, e que o fornecimento deve progredir ao longo do contrato.

Eduardo Lima, diretor comercial da Gás Verde, maior fabricante de biometano do País: “Se pudéssemos, teríamos três plantas na região” (Gás Verde/Divulgação)
Mercado de biometano em expansão no Brasil
A Gás Verde, considerada a maior produtora de biometano da América Latina, tem ampliado sua atuação para atender à crescente demanda corporativa por soluções energéticas sustentáveis.
Diretor Comercial da companhia, Eduardo Lima enfatiza o impacto direto da substituição energética na pegada de carbono industrial: “Estamos muito felizes em apoiar a Mondelēz em sua jornada de descarbonização. Ao optarem pelo uso do biometano em seus processos produtivos, as indústrias conseguem reduzir de forma expressiva suas emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) diretamente ligadas à sua atividade principal”.
O avanço do biometano ocorre em paralelo ao desenvolvimento de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à descarbonização da matriz energética brasileira, com potencial de crescimento relevante nos próximos anos.
Cadeia do biometano e economia circular
O biometano que abastecerá a unidade será produzido em Igarassu (PE), a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. A produção ocorre dentro do complexo ambiental Ecoparque Pernambuco, consolidando um modelo de economia circular.
Esse processo permite não apenas a geração de energia renovável, mas também a mitigação de emissões de metano, um gás de efeito estufa com potencial significativamente maior que o CO₂. Do ponto de vista sistêmico, o biometano vem ganhando protagonismo no Brasil como vetor de transição energética, sobretudo em aplicações industriais e no setor de transportes pesados.







