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Mercado de trabalho: desafios chegam para o Município

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Mercado em debate – com Osmar, Joaquim e Anne.

“O que se pode esperar para o mercado de trabalho vitoriense?”, foi a pergunta do debate de nossa Mesa Redonda desta sexta-feira (23), no programa A VOZ DA VITÓRIA pela Rádio Tabocas FM (98.5). Estiveram presentes como debatedores o Osmar Berto (vice-presidente do PCdoB), Joaquim Lira (professor universitário), Edjane Silva – Anne (da coordenação da UJS).
Com os empreendimentos advindos para a nossa região, ainda pela condição estratégica que Vitória de Sto. Antão detém, bem como um pólo educacional universitário emergente, o incremento de nossa produção de verduras que abastece a CEASA, comércio forte e pólo radiador para outras cidades desta região; Vitória hoje toma para si um grande desafio: estar preparada para atender as demandas de mercado que veremos nos próximos anos. E esse desafio ficou premente com a chegada de um dos seus investimentos, a exemplo da Sadia, a qual precisará de mão-de-obra qualificada. E é neste ponto que estamos atrasados.
O debate fez uma reflexão diante dos resultados da pesquisa do IPEA que detectou um percentual de 46% de desempregados na faixa etária entre 15 à 24 anos entre os jovens brasileiros. Foi exposto o grau de vulnerabilidade de nossos jovens em Vitória que saem do ensino médio sem nenhuma perspectiva de inserção no mercado de trabalho. Chegamos ao ponto, hoje, da nossa cidade ter um caráter de dormitório. Além do alto grau de informalidade, carecemos de trabalhadores qualificados para encarar este novo mercado que nos chega e que, portanto, não nos preparamos para encará-lo.
“Penso que o nosso potencial de trabalho local tanto urbano como rural andam juntos, bastando somente unir os responsáveis pela condução das políticas públicas no sentido de fortalecer naquilo que somos fortes comercialmente”, ressaltou Joaquim Lira. “Apesar de termos uma Escola Técnica, o Senac e outros instrumentos de formação para o mercado de trabalho, ainda estes se mostram insuficientes para a grande demanda de jovens ociosos que temos na cidade”, lamentou Anne. “Não há uma política pública local que insira esse público na profissionalização e ao acesso cultural, esportivo, de lazer e de capacitação para enfrentar o mercado de trabalho”, destacou Anne.
Para Osmar Berto, os investimentos que o governo Federal destina ao Sistema S (Senac, Sesi, Sebrae, Senai) deve ser redirecionado para a ampliação de uma rede de profissionais em todo o País. “O governo pretende inverter a proporção das verbas arrecadadas pelo Sistema (2,5% sobre a folha salarial das empresas), passando a destinar 1,5% para a formação profissional e 1% para serviços sociais”, defendeu Osmar. “O Ministério da Educação pretende, na verdade, ampliar o acesso ao Sistema S, já que grande parte dos cursos técnicos oferecidos são pagos”.
Segundo os dados do estudo do IPEA, os jovens têm poucas vagas para sua formação profissional e respondem por quase metade dos desempregados brasileiros. “Apesar de Vitória ter um comércio forte, ainda não estamos preparados para enfrentar o desafio de capacitação de nossa gente. Se isso não for feito, as vagas que estarão sendo oferecidas, deverão ser ocupadas por trabalhadores especializados de outras regiões”, alertou Osmar. “Só nos resta resumir em uma única palavra ‘conscientização’ da sociedade. Os desafios estão postos, basta apenas que cada um procure se qualificar e ao mesmo tempo cobrar daqueles responsáveis pelas políticas públicas que de fato estas sejam executadas”, finalizou Joaquim Lira.

Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira.
Equipe: Gilberto Júnior e Bernardo Júnior.