Os ouvintes também tiveram uma participação muito importante fazendo suas perguntas e esclarecendo suas dúvidas por telefone e e-mail enviados para esse Blog durante a semana.
O debate foi coordenado pelo apresentador Lissandro Nascimento perguntando inicialmente sobre as dificuldades enfrentadas pela Secretaria de Educação no início da gestão. “Um dos primeiros desafios foi conseguir um lugar para trabalhar, pois o prédio da antiga Secretaria estava em péssimas condições e com o madeiramento comprometido pela ação dos cupins, ameaçando cair a qualquer momento, agora estamos instalados no prédio do auditório da Prefeitura. Mas o pior foi quando começamos visitar as escolas para fazermos um levantamento da situação”, declarou Maria José Lira.
Segundo a Secretária, o Município tem 26 escolas na zona urbana e 26 na zona rural. A equipe da Secretaria fez uma inspeção em todas, detectando inúmeros problemas, a exemplo do sucateamento físico da rede escolar, a ação mínima desde recolocar vidros nas janelas, trocar louças sanitárias, até outras maiores intervenções. 
O problema mais evidente foi na zona rural “o qual encontramos várias escolas infestadas de morcegos, acarretando riscos ao alunado que segundo os mesmos, estudavam com sacolas plásticas na cabeça. Mesmo assim ainda saíam com suas roupas sujas pelas fezes dos animais”, lamentou.
Segundo a mesma, houve relatos de alunos afirmando que a merendeira preparava os alimentos com um enorme guarda-chuva armado, devido aos riscos das fezes dos roedores e morcegos caírem sobre os mesmos.
Continuando com o relato Maria José confirmou aos ouvintes que além dos morcegos, que já caracterizava abandono, outra situação lamentável foi a da escola localizada defronte ao Quartel dos Bombeiros que precisou ser interditada com urgência, pois o teto ameçava desabar sobre os alunos, no bairro de Lídia Queiroz. A reforma foi ordenada com urgência pela gestão municipal e nos próximos dias deverá ser entregue totalmente pronta para a população.
Outra questão abordada por Lissandro Nascimento foi relacionado as verbas direcionadas exclusivamente para a educação, bem como o sistema de controle público direcionado para o setor educacional.
Segundo a Secretária, todos os procedimentos que devem ser tomados para o uso das verbas que são direcionadas exclusivamente para a educação, já estão sendo colocados em prática, “na verdade, a grande preocupação atual é com os professores recém nomeados por intermédio do último concurso”, salientou, lembrando que os mesmos não foram programados devidamente para exercer suas funções na máquina pública.
“Precisamos montar cursos de aperfeiçoamentos e capacitação para os professores existentes em nossa rede pública de ensino, pois nossas notas no IDEB são baixíssimas e em hipótese alguma poderemos permanecer assim”, pontuou a Secretária de Educação.
A Sra. Maria Lira informou que o IDEB trata-se de um Índice que mede o desenvolvimento e a qualidade do ensino público do País, também revela se os estudantes das escolas públicas estão aprendendo o que precisa aprender na idade certa. Indica ainda a qualidade de ensino do município, do Estado e do País.
Todas as escolas públicas têm uma nota que vai de 0 a 10, quanto maior a nota, melhor é o atendimento que estas instituições de ensino oferecem a população.
A cada dois anos há uma avaliação e as notas dos municípios são publicadas. O IDEB realizou avaliações em 2005 e 2007, a próxima está marcada para o final de 2009. “Por contar com uma nota menor que 3, o nosso Município causou preocupação a gestão, que nos pautou a desenvolver trabalhos urgentes para mudar esse quadro negativo e elevar a Cidade da Vitória para índices que a tornem modelos frente a outros municípios”, considerou. 
O Diretor da Secretaria de Planejamento, Elias Martins, aproveitando o toque sobre o IDEB, abordou interessantes dados sobre a municipalidade.
Entre os 5.064 municípios brasileiros, as avaliações feitas pelo IDEB, temos os seguintes dados:
Em 2005 foram avaliadas 4.350 escolas de 1ª à 4ª série. A maior nota 6,8 e a menor 0,7. Vitória ficou na 2.902ª classificação, com nota 3,0. Já para 5ª à 8ª foram avaliadas 2.467 escolas, onde a maior nota foi 5,9 e a menor 0,3. Vitória na 2.024ª classificação com nota 2,4.
Em 2007 a situação ficou ainda pior. Avaliadas 4.988 escolas de 1ª à 4ª série. A maior nota 7,7 e a menor 1,6. Vitória ficou na 4.091ª classificação, com nota 3,0. Já para 5ª à 8ª foram avaliadas 3.164 escolas, onde a maior nota foi 6,6 e a menor 1,1. Vitória na 2.509ª classificação mesmo com nota indo 2,7.
Outros dados foi o relativo ao fato que Vitória tem na Secretaria de Educação o seu maior orçamento. De 2006 a 2008, em média 35% de todos os recursos financeiros do Município foram declarados gastos com a educação. Porém, vários problemas foram deixados para atual administração.
“Mesmo com investimentos de R$ 28 milhões em 2008, o governo anterior não cumpriu os 25% de gastos próprios com educação exigidos pela Emenda 29 e da Constituição Federal”, declarou Martins.

“Nos últimos dois anos, 94% de todo o FUNDEB tem servido só para pagamento de salários, deixando o Município totalmente a deriva de investimentos para melhoria da qualidade da educação local”, revelaram. Deixando claro que o antigo gestor priorizou os recursos tão somente para contratação de pessoal e pagamento de salários, o que é contraproducente com os objetivos definidos para o FUNDEB.
Após a apresentação desses dados, o apresentador se reportou a Secretária indagando a mesma para saber que medidas serão tomadas pela sua pasta para reverter esses dados preocupantes do ensino vitoriense.
Segundo a Srª. Maria Lira as providências começaram a ser tomadas desde os primeiros dias da atual gestão. “Na medida em que as necessidades foram aparecendo foi se formando um plano de trabalho”, contou.
“A principal meta agora é melhorar a qualidade de ensino cuidando principalmente dos professores, mais do que um curso de capacitação, faremos um sistema de formação continuada que acompanhará os educadores durante toda a carreira, porque o sistema educacional está sempre em evolução e precisamos está sempre atualizado”, ensinou ela.
“Quanto aos alunos teremos reposição de aulas devido às reformas das escolas, será ainda oferecido cursos de informática e preparação para vestibular, dando ênfase a cursos específicos de preparação para o Enem”. Também lembrou que brevemente a Prefeitura estará entregando a população creches e reforçando a pré escola em vários bairros e localidades da zona rural. Foi anunciada no debate a compra de uma propriedade próxima a Água Branca que visará atender o público infanto-juvenil.
Durante o debate foi lida inúmeras perguntas deixadas pelos ouvintes, o apresentador aproveitou para ler os e-mails que chegaram durante a semana, de ouvintes do Programa e leitores do Blog, comentando e pedindo esclarecimentos sobre a polêmica doação dos livros didáticos do MEC, feita ao Hospital do Câncer, logo divulgada pelo Jornal do Commercio, o qual encontrou em um depósito de reciclagem no Recife.
A Secretária de Educação, Maria Lira, informou que tais livros didáticos distribuídos na rede pública têm validade de 3 anos. Esses livros passam de aluno para aluno e após o vencimento podem ser levados para casa. “O que encontramos no porão do antigo prédio da Secretaria foram livros antigos, com vencimento de 1998 a 2006, que não foram distribuídos no tempo adequado para o alunado local”, esclareceu.
“Vale frisar que junto com esses livros também encontramos a Prova Brasil que deveria ter sido aplicada em outubro de 2008 e não sei por qual motivo não o fizeram”, lamentou.
Ela esclareceu que procurou orientação na Coordenação do Livro Didático de Pernambuco, que por sua vez informou que separassem os livros pela data de validade, já os atuais fossem entregues aos alunos; e os com prazo de validade vencida entregues as bibliotecas para servir de pesquisa. “Como a quantidade foi exorbitante e foram milhares de livros, para o excedente sugeriu-se que fosse entregue a alguma entidade beneficente”, ressaltou.
Por isso, segundo ela, os livros foram entregues ao Hospital do Câncer, entidade que cuida de pessoas carentes e estão sempre precisando de recursos, frisando que “todo o processo foi feito através de ofício e depois guardado em nossos arquivos”, explicou.
Quanto aos livros que foram apresentados na TV local com data de 2008 e de uma editora completamente diferente da que fornece os livros para a rede pública municipal afirmou: “não tenho a mínima ideia por onde arrumaram aquilo”, fustigou.
Resta agora é esperar a iniciativa do Ministério Público da cidade da Vitória, que se prontificou em apurar perante a imprensa, a fim de que os verdadeiros culpados sejam plenamente responsabilizados por tal falta e que sejam devidamente punidos, na forma da Lei.
Dentre os vários assuntos abordados, citaram-se os encaminhamentos relativos ao transporte universitário, a questão da gestão democrática nas escolas que ainda não foi implementada, bem como, o agendamento e os preparativos para a Conferência Municipal de Educação.






