Restando apenas uma pequena área o Parque ficou, portanto, sem espaço físico para acomodar corretamente os animais que alí já habitavam e os que chegaram em seguida, sem contar com as péssimas condições de alimentação além de cuidados inadequados aos mesmos.
O Programa A VOZ DA VITÓRIA realizado na sexta-feira (24) promoveu em sua Mesa Redonda debate sobre dois temas distintos: o primeiro relativo à Campanha de Vacinação de Idosos, já o segundo debate tratou sobre as questões ambientais da Vitória de Santo Antão.
Sendo alvo de denúncias por jornais da capital no ano passado o Parque foi interditado pelo IBAMA ficando assim impedido de fazer qualquer permuta de animais com outros Zoológicos.
Abrindo a segunda parte de nosso debate o Sr. Severino Roberto fez o seguinte resumo da real situação em que se encontra o Parque Melo Verçosa:
“Ao tomar posse, a atual administração encontrou uma série de denúncias sobre o Zoológico; animais morrendo devido à alimentação incorreta, falta de espaço necessário para os mesmos, sem infra-estrutura para visitantes e funcionários.
Isso foi o que acarretou a interdição do Zôo e esta interdição só terá fim quando todas as exigências legais do IBAMA forem atendidas”, lamentou o Secretário.
Além desse desafio vem à falta de recursos, bem como o local que já está pequeno para os animais alí presentes. A parte de limpeza já foi providenciada, pelo qual os animais já estão recebendo alimentação adequada, ao que diante da ação, tem surtido efeito, a exemplo dos seus pêlos e penas aparentarem mudanças significativas.
A grande mudança, no entanto, será quando o Parque tiver seu local transferido, pois devido ao espaço pequeno e a urbanização que sofreu no entorno, além da movimentação de máquinas e equipamentos da Estação de Tratamento de Água localizado ao lado do terreno gerar muito barulho, deixando por sua vez os animais inquietos e estressados.
“Temos muita esperança que ainda este ano o nosso Zoológico esteja legalizado e possamos trazer mais animais para mostrar a diversidade da fauna brasileira”, comentou Severino Roberto.
Quanto à transferência do Zoológico existem três possibilidades: no Monte das Tabocas que seria acompanhado do Tiro de Guerra (abrigado também no Alto do Reservatório), que possivelmente ficaria o mesmo responsável pela proteção do local de patrimônio histórico. Outra localidade possível para esta transferência seria o Engenho Bento Velho, porém lá existe uma Pedreira em que a atividade maior é à noite, por isso também prejudicial aos animais. A terceira opção seria o Cedro (logo após a Escola Polivalente), todas são opções para se estudar.
Durante a entrevista houve uma indagação sobre a possibilidade de empresários adotarem um animal do Zoológico. De pronto, o Secretário afirmou que é possível desde que o Parque esteja com a devida autorização do IBAMA.
Do mais, o que resta é fornecer uma melhor estrutura para garantir mais conforto para as pessoas que visitarem o Alto do Reservatório, que também abriga o Campus Acadêmico da UFPE.
Uma vez indagado sobre a Pedreira instalada nas proximidades do Engenho Bento Velho, o apresentador lembrou ao Secretário que houve uma visita a Igreja do referido Engenho constatando-se rachaduras nas paredes, colocando em risco uma construção secular. Outra reclamação dos ouvintes foi com relação à poeira fina decorrente das atividades da referida empresa que causa transtornos e prejuízos a saúde de moradores da região.
Prontamente, o Secretário respondeu que essas e outras reclamações já tramitam no Ministério Público e parece que vão ficar encalhadas por algum tempo.
“Realmente que a verdade seja dita”, retrucou o apresentador, “o Ministério Público da Vitória de Santo Antão é omisso e vive à passos de tartaruga. Nunca vi nada igual. Até parece que o Ministério Público não existe em Vitória”, asseverou Lissandro Nascimento.
Quanto ao rio Itapacurá que se encontra praticamente morto devido a grande carga de poluentes que é nele despejado diariamente, qual seria a pauta da Secretaria do Meio Ambiente para tratar e revitalizar suas águas? – Perguntou Lissandro.
“O rio Itapacurá percorre cerca de 70 quilômetros dentro do território vitoriense e deságua no rio Capibaribe que é responsável por 40% do abastecimento de água da Região Metropolitana do Recife. Nasce em Gravatá percorrendo alguns municípios: Gravatá, Châ Grande, Pombos, Vitória de Santo Antão, Moreno e São Lourenço da Mata”, contextualizou.
Destacou que o Governo do Estado tem como prioridade máxima tratar Vitória e Toritama porque são as cidades que mais poluem no Estado. Toritama por conta da lavagem dos jeans que usa cerca de 60 litros de água na lavagem de cada peça. “Para se ter uma ideia, já se encontram resíduos de tinta na barragem de Carpina e Vitória por seu crescimento desenfreado dos últimos anos, os quais não tratam de seus esgotos. Apesar de que o maior poluidor do Estado chama-se COMPESA! Haja vista que lançam seus resíduos nos rios sem o menor tratamento”, destacou o Secretário.
O governo está com um projeto de tratamento de rios e saneamento de bairros, ao qual precisará de recursos da ordem de 7 bilhões de Reais, pretendendo entregá-lo ao BIRD o mais rápido possível, explicou ele.
“No começo do ano uma equipe de técnicos do Distrito Federal compareceu a Vitória de Sto. Antão juntamente com os gestores municipais de cada municipalidade, visitando o rio em toda sua extensão, desde Vitória, no qual foram anotados e fotografados todos os seus pontos críticos da divisa com Pombos, até o Monte das Tabocas. Por sua vez foi recolhido pelos técnicos dados suplementares como: índice de precipitação pluviométrica da região, vazão do rio, quantidade e qualidade das matas ciliares para assim se ter uma ideia do tamanho do problema e fazer um plano adequado para a limpeza, alargamento e aprofundamento do mesmo”, contou.
Como opinião particular, Severino Roberto afirmou que sente saudades do tempo de criança que usufruía do rio com seus amigos pescando e nadando no mesmo, “hoje em dia se pisar nele cai a pele”, lamentou.
“O governo atual está muito preocupado com as áreas verdes. Estão degradadas em nosso Município. Há anos que não se planta uma árvore nessa cidade e o povo sente a conseqüência disso. A Sadia acabou de chegar e já pretende plantar 2.500 hectares de árvores em Vitória, tornando-se automaticamente uma grande parceira da Prefeitura local. De imediato, a Prefeitura pretende plantar 5.000 mudas porque hoje é uma questão mundial e o planeta clama pela proteção ambiental”, pontuou o Secretário.
Perguntado sobre as condições do Matadouro Público ele foi enfático:
“O Matadouro passou por uma transformação total. Não se joga uma gota de resíduo sequer nos rios ou esgotos. Todo material é recolhido em um tanque e no final do expediente uma empresa especializada vem e recolhe todos os resíduos para ter um tratamento adequado”, assegurou.
Mudando o rumo do assunto o Secretário afirmou: “Nem tudo é problema. Vou anunciar em primeira mão uma parceria que vai deixar a população ambientalista muito feliz”, previu.
Ele expôs aos ouvintes que a Secretaria de Meio Ambiente seguindo orientações da gestão municipal está fechando um contrato com uma empresa alemã a SG, empresa que é a única no mundo que trabalha com uzinagem de lixo.
Ele contou que a única exigência da SG foi um comodato de 25 anos e 15 hectares de terreno para a instalação do complexo.
“Os métodos conhecidos de tratamento de lixo são os lixões que resultam em montanha de lixo a céu aberto ou aterros sanitários onde o mesmo varre o lixo para baixo do tapete. Sem falar no xorume decorrente da decomposição do lixo que contamina todo lençol freático”, lembrou.
Esta empresa com sede em Brasília já atua em várias cidades do Sul do País. Acaba de entrar no Nordeste, visitando as cidades de: Caruaru, Carpina e Vitória de Santo Antão, por serem cidades com mais de 50.000 habitantes.
Explicou ainda que o lixo decorre em média de 180 dias para se decompor. “O método da empresa é justamente acelerar quimicamente o processo que reduz o prazo para 15 dias, extraindo assim gás metano e composto químico para adubo”, sinalizou.
Segundo as intenções desta empresa alemã todo o lixo da cidade será aproveitado em 97% de lixo orgânico e 3% de material inorgânico (vidro, ferro, alumínio, plásticos). O que não for aproveitado será dividido entre os funcionários.
“Isso acabará definitivamente com a poluição e o mau cheiro gerado por acúmulos de lixo nos terrenos públicos, e sem contar que cidades vizinhas poderão pagar para o município da Vitória dar um fim adequado ao seu lixo”, revelando uma das possíveis vantagens.
Dispôs-se a fiscalizar as oficinas de reciclagem de plásticos que não podem se instalar em áreas urbanas e cuidar para que não ultrapassem as margens da Lei, pelo qual providências já foram acionadas junto ao Ministério Público local.
“O Ministério Público está investigando todas as oficinas de reciclagem para que não ofereçam risco à saúde da população”, contou esperançoso.
Produção: Jáder Siqueira e Orlando Leite.
Equipe: Felipe França, Genilda Alves.
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