por Amaury Medeiros*
Senhor governador: 19 cidades fazem parte da Zona da Mata Sul abrangendo uma área de 4.003.40 km². Deter-me-ei com mais vagar sobre São Benedito do Sul por conhecê-la melhor, por tratar-se de minha terra natal. As demais têm sofrido os mesmos problemas de abandono por partes dos governantes. Como a maioria dos pernambucanos, sou seu admirador incondicional e de sua equipe.
Nossos índices de crescimento foram os maiores do Nordeste e superaram a média nacional. Em termos de desenvolvimento econômico e social, a Zona da Mata Sul foi, lamentavelmente, esquecida. Apenas a rodovia 101, duplicada até Palmares, e as barragens para contenção de enchentes periódicas mereceram atenção. Cadê as indústrias que asseguram estabilidade econômica e melhoria do padrão de vida das populações? Façamos uma breve comparação com os investimentos noutras áreas. Limoeiro receberá três novas indústrias. O município terá fábricas de sorvete e calçados. O investimento anunciado é de R$ 44 milhões. A planta vai gerar 500 novos empregos.
A Terphane, indústria que produz filmes de poliéster especial para o setor de embalagem, vai ampliar a capacidade de 40 para 70 toneladas, investindo 80 milhões de dólares. A Shacman, a maior montadora de caminhões pesados e ônibus da China, poderá ter fábrica em Caruaru. Sem falarmos na Hemobrás e na Fiat que, instaladas em Goiana, concederam novas perspectivas de grandeza ao município e circunvizinhanças.
Petrolina com suas vinícolas de fama internacional. Na lista dos mais agraciados pela natureza e medidas administrativas, o município de Ipojuca, que além das praias paradisíacas de Porto de Galinhas, Muro Alto, Cupe, Toquinho e Maracaípe, tem, de contrapeso – e que contrapeso! – a potência industrial do Porto de Suape. Fica a impressão que nada restou para os esquecidos e pobres lugarejos da Mata Sul. São Benedito mais se parece um cemitério de vivos, tamanho o número de desempregados que cochilam ao relento no assuntar do tempo.
Prezado governador, sobra-lhe pouco tempo – é verdade! –, mas o suficiente para tomar certas medidas, simples e de baixo custo, para minorar o sofrimento dessa gente. Sua equipe é sábia e atuante. Cito algumas medidas que podem ser tomadas de imediato: a) contratar ceramistas de Tracunhaém (discípulos de Zezinho) ou do Alto do Moura (discípulos do Mestre Vitalino) ou de Petrolina (discípulos de Ana das Carrancas) para que, num curto período, formem artistas locais; lembrar da existência de extensas áreas de riquíssimo barro que, comprovadamente, vitrifica quando submetido às altas temperaturas; b) distribuir máquinas de costura – ou facilitar suas aquisições – e orientar no sentido da instalação de uma indústria de confecções no estilo Santa Cruz do Capibaribe/ Toritama; c) desenvolver um projeto agrícola no fértil Vale do Piranji; d) estimular a fabricação doméstica de tapetes (espécie de tapeçaria incipiente); e) incentivo ao turismo – no município, belas cachoeiras, acidentes topográficos favoráveis aos esportes radicais e a disponibilidade de um hotel fazenda aconchegante já em funcionamento; f) toda água que corre do alto das matas e do profundo das rochas, é mineral – uma indústria de engarrafamento, existente, mereceria apoio governamental, gerando novos empregos.
Como nos encontramos na fase das passeatas reivindicatórias, com ênfase na educação, seria mais que oportuno se pensássemos na instalação duma Universidade, com disciplinas básicas, na cidade de Quipapá, ponto convergente de vasta região cujos estudantes se deslocam, com sacrifícios imensos, às terras caruaruenses, para o processo de aprendizagem. São metas cabíveis e justas que, em parte, sua eficiente equipe tem condições de equacionar e conquistar no tempo que lhe resta de governança. Enriqueça ainda mais seu currículo de notável administrador!
O povo da Mata Sul agradece.
por Amaury Medeiros,
é membro da Academia Pernambucana de Letras (APL).







