Por Hely Ferreira
O ex-presidente do Brasil, Jânio Quadros, teve uma carreira meteórica, disputando várias eleições, ocupando vários cargos, em sua maioria sem concluí-los. Ao chegar à Presidência da República, era filiado a UDN, mas nunca foi um homem de partido. Tanto é que a sigla a qual era filiado, não se sentia representada por ele. O falecimento do ex-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e então candidato ao Planalto Central, tornou necessário a mudança da chapa majoritária, levando sua vice a encabeçá-la.
Acontece que, embora ela seja filiada ao PSB, todos sabem que seu projeto político é a criação de um novo partido chamado de Rede. Assim, caso a candidata socialista seja vitoriosa nas urnas, o seu atual partido poderá viver a mesma situação vivida pela a UDN durante o governo de Jânio Quadros.
Resta saber se os chamados socialistas puro-sangue estão dispostos a viver o mesmo dilema de estar no poder e não se sentir poder. Por outro lado, os asseclas da candidata, que acreditaram em um projeto nacional, se contentariam em fazer parte do governo como coadjuvantes, e vendo o projeto antes idealizado por eles onde Marina representava toda possibilidade de sucesso, agora sendo embargado por casos “fortuitos”? Como se vê, caso Marina seja a próxima presidente do Brasil, o primeiro problema que terá de ser resolvido é como adiar uma agenda recheada de compromissos firmados com seus pares. Ou será que ela acredita que tudo isso será possível adiar por mais alguns anos, em nome da “nova” política?
Por Hely Ferreira,
Cientista Político.










