
(Maciel Salustiano debateu na reunião de quarta-feira em Nazaré - Foto: Ricardo Labastier/JC Imagem).
JC Online
Após a reunião ocorrida nesta quarta-feira (5), em Nazaré da Mata, que resultou na liberação dos horários dos ensaios e sambadas dos maracatus, a Fundarpe volta a se pronunciar sobre o tema por meio de uma nota oficial. “Os secretários estaduais de Cultura, Marcelo Canuto, e de Defesa Social (SDS), Alessandro Carvalho, reafirmam o entendimento de que os ensaios e apresentações de agremiações e grupos culturais dos municípios da Zona da Mata não precisam limitar previamente o tempo de suas apresentações. Tais manifestações são realizadas nos engenhos, seus territórios de origem, para o público de sua própria comunidade, somado a visitantes que vão conhecer e prestigiar esta cultura”, diz o texto.
Maciel Salu, músico e maracatuzeiro, estava na reunião da quarta-feira e posicionou-se firmemente. Na ocasião, pediu publicamente ao presidente da Fundarpe uma reunião com representantes de maracatus de outros municípios – onde já há três anos vigora a imposição para que os eventos sejam encerrados às 2h, segundo relatos de maracatuzeiros. Historicamente, os festejos de maracatus de baque solto se encerram às 5h.
Nesta sexta-feira (7), Maciel deve entregar à Fundarpe um pedido formal de audiência pública. “Além da questão dos horários, nosso pedido é que entre também na pauta o debate sobre não termos banheiros químicos ou assistência médica. Queremos respeitar a sociedade, mas também que sejamos respeitados pelas autoridades”, disse o músico.
O cerceamento vinha acontecendo em Aliança há tempos. Segundo o mestre Barachinha, do Grupo Leão Mimoso, desde que chegou na cidade, há três anos, nunca foi possível realizar uma sambada até o sol nascer, momento em que normalmente se encerra a cerimônia religiosa. “Quando a gente chega na promotoria para entregar o ofício pedindo o prolongamento do tempo, eles já dizem que é preciso terminar tudo às 2h”, conta o mestre. Todas as sambadas de Aliança ocorrem na rua, na frente das sedes das nações de maracatus.
No entanto, segundo a promotora de Aliança, Sílvia Câmara, todos os encontros acontecem em lugares privados e, por isso, não há restrições de horários. “As sambadas, aqui em Aliança, são feitas nas sedes. Além disso, o histórico da cidade é que os maracatus terminem cedo”, afirma.
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