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Manguebeat agora é patrimônio imaterial

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Publicado em 21.08.2009

Assim como o bolo de rolo, o manguebeat é o novo Patrimônio Imaterial do Estado. A lei do deputado Sérgio Leite (PT) já foi sancionada pelo governador Eduardo Campos. “É importante lutar para preservar a nossa cultura. O manguebeat foi muito importante para o Estado e nos deu um reconhecimento internacional”, justificou o autor da lei.
O deputado é autor ainda de um outro projeto desse tipo, agora visando os bacamarteiros, mas confessa que é preciso ter cuidado para que o título de Patrimônio Imaterial não seja banalizado. “Tem uns projetos que são absurdos, mas prefiro não citar os nomes. Mas no caso dos bacamarteiros e do manguebeat, o reconhecimento é mais do que merecido”, justificou.
Secretário de Cultura do Recife e um dos mentores do movimento mangue, Renato L., aprovou a iniciativa. “É sempre bom um reconhecimento como esse. No entanto, o importante é saber que eco terá um projeto assim, saber como ele será revertido para os nossos artistas”. O vocalista da Nação Zumbi, Jorge du Peixe, comemorou a notícia: “Fico feliz com esse projeto. É bom ver o reconhecimento por um movimento que chacoalhou os anos 1990 e que, até hoje, continua ecoando”.
O crítico de música do JC e autor do livro Do frevo ao mangue beat, José Teles, estranhou a notícia: “Ao contrário do frevo, o mangue não é um ritmo. Eles não estão homenageando um ritmo e sim uma movimentação, uma ideia. É estranho”.
A doutora em sociologia pela UFPE com a tese A nova velha cena – A formação do campo cultural no Recife, Carolina Leão, analisou a reverberação política da lei: “O PT se vale do mangue assim como o PMDB um dia se utilizou do armorial. O (sociólogo) Pierre Bourdieu escreveu que, tudo o que é institucionalizado, fica velho. Estamos transformando em tradição o que é muito recente, é um sintoma da nossa época”.
(Jornal do Commercio).