
O rico acervo manuscrito do escultor vitoriense foi lançado por Pedro Ferrer no Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão. Luiz Ferrer está incluso entre os grandes escultores nacionais da primeira metade do século 20.
Por Lissandro Nascimento
Obra, que só chegou até a atualidade pelo primoroso trabalho de um sobrinho ávido pela atuação artística de um renomado parente, agora está registrada em “LUIZ FERRER, O ESCULPTOR”.
O escultor e artista ovacionado pela antes capital brasileira – Rio de Janeiro, radicado em Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Luiz Ferrer de Morais (1906–1954) é mais um daqueles grandes nomes de sua área a cair no esquecimento após a morte. O artista teve papel importante para a escultura brasileira: confeccionou/esculpiu com as próprias mãos monumentos, gravuras, estatuetas e bustos memoráveis espalhados por dezenas de municípios brasileiros.
A obra de Luiz Ferrer só chegou viva até a atualidade pelo trabalho minucioso de Pedro Humberto Ferrer de Morais, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (IHGVSA). O autor, que já lançou uma dezena de livros, conseguiu preservar catalogando centenas de obras do seu tio ocultadas pelo tempo. O livro oferece ao leitor etapas da gloriosa vida artística de Luiz Ferrer, com uma compilação de artigos, fotos e notas de revistas e jornais da época, acompanhando a caminhada artística iniciada em Vitória de Santo Antão, as quais atraem o leitor para fatos cotidianos da época da ‘República das Tabocas’ e da controversa República brasileira.

O rico acervo manuscrito foi lançado por Pedro Ferrer na noite da quarta-feira (18.09), nas dependências do Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão, prestigiado por autoridades políticas e religiosas, artistas locais, profissionais liberais, sócios do Museu e membros da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência, bem como a família Ferrer de Morais. Especial destaque a neta de Luiz Ferrer, Viviane Ferrer, que se fez presente ao evento acompanhada do esposo, ambos do Estado de São Paulo, onde hoje residem.

Luiz Ferrer está incluso entre os grandes escultores nacionais da primeira metade do século 20. Escultor ativo no Rio de Janeiro e em Recife. Estudou com Paulo Mazzuchelli no Liceu de Artes e Ofícios do Rio. Expositor no Salão Nacional de Belas Artes (1947 e 1948), quando apresentou retratos, gênero em que se especializou. Entre suas obras: bustos do coronel Aristarco Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, de Osvaldo Moura Brasil do Amaral e de Hugo Barreto. Trabalhou para presidentes e personalidades empresariais, eclesiásticas, militares e políticas; os quais foram retratados por suas mãos geniais.
Ele era irmão do Sr. Severino Ferrer de Morais, um dos chefes da indústria Engarrafamento Pitú Ltda. Artista precoce, aos 15 anos, estimulou-se por outro escultor, natural de Vitória, Antão Bibiano Silva. No centenário de elevação de Vila à cidade de Vitória, em 1943, Luís Ferrer esculpiu o majestoso obelisco com três gravuras em auto-relevo erigido na Praça Duque de Caxias, no Centro de Vitória, além de ter sido homenageado com um Baile Municipal no Clube Abanadores O Leão, situado até hoje na Matriz de Sto. Antão.
“O livro recupera a trajetória e foi a melhor maneira que encontrei para homenageá-lo e por extensão nossa querida cidade que o artista amou e divulgou como poucos”, descreve Pedro Ferrer, ao eternizar a obra de seu tio que lhe rendeu quase uma década para aglutinar primoroso acervo documental e literato.

EXPOSIÇÃO LINHA do TEMPO
Pedro Humberto Ferrer de Moraes, 81 anos, formado em Biologia pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e Pós-graduado pela Universidade de Lille, na França. Ex-professor do Colégio Marista de Salvador (BA), professor aposentado da UFPE, Sócio fundador e ex-presidente dos Conselhos Federal e Regional de Biologia – CRB-5, idealizador e co-fundador da Faculdade de Formação de Professores da Vitória de Santo Antão, hoje UNIVISA, onde também atuou como professor nos cursos de Biologia e Farmácia. Membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência. Atualmente preside o Instituto Histórico de Vitória.
Recentemente o autor foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, financiado através do Ministério da Cultura, com a Exposição “Linha do tempo – Pedro Ferrer”, sob a monitoria de Vitória Nascimento. A peça memorável se encontra exposta no Museu Casa do Imperador, sede do Instituto Histórico de Vitória, situado na Rua Imperial, na Matriz.

É autor dos seguintes livros: “José Augusto – Sim, sim; Não, não” (2009), República da Cachaça (2010) que chegou a ser premiado em 2013 pela Academia Pernambucana de Letras – APL, coordenou a obra ‘História de 1983 a 2010 de Vitória de Santo Antão’ lançada em 2011, produziu com as professoras Fátima Santos e Savana Santos o livro didático ‘História de Vitória’ (2011), publicou em 2013 o ‘Vi Nascer’ relatando a criação da primeira faculdade de Vitória; fez a defesa acadêmica da vida de Júlio Siqueira (2013), e em 2016 publicou a obra “Capitão-mor Pedro Ribeiro”, doravante lançando seu primeiro romance “Cristais Fissurados” (2019), além do “Asas para Vitória de Santo Antão”.







