No começo do bate papo, o apresentador Lissandro Nascimento relembrou o início da carreira do Jornalista Joélio Alves pelo rádio pernambucano, onde o mesmo começou sua trajetória aos 15 anos de idade na cidade de Petrolina.
Atualmente Joélio Alves é um dos apresentadores do seguro premiável Pernambuco da Sorte, e lançou um CD de auto reflexão, com mais de 15 mil cópias já distribuídas gratuitamente em diversas cidades do Estado.
Adiante, o apresentador Lissandro falou sobre o nascimento do Rádio, sendo o mesmo um grande instrumento de comunicação em massa que o presidente Getúlio Vargas soube usar de maneira bem apropriada, e desde a década de 1930 o rádio teve um grande avanço no setor econômico do País, e apesar da consolidação da televisão nos anos 50, o rádio continua exercendo um papel fundamental na vida do povo brasileiro.
O apresentador Joélio Alves falou de sua paixão pelo rádio, pois foi nele que começou sua vida jornalística e que ainda pretende voltar ao rádio, mas com uma programação diferente que incentive diretamente das ruas a participação direta das comunidades.
“O rádio é mais imediato que a televisão, o jornal e outros meios de comunicação vêem a ser mais imediato que a internet, é você de um lado e o ouvinte do outro sem precisar escrever, editar, é como se você estivesse falando diretamente com o ouvinte”, citou.
“Na televisão você tem que escrever, ligar vários equipamentos e câmeras. Já o rádio através de um aparelho celular você pode notificar uma ocorrência em primeira mão, e quem está em casa escuta na hora sem distorção alguma, essa é a verdadeira diferença do rádio, pois o rádio é o meio de comunicação mais importante do mundo em minha opinião”, defendeu Joélio.
Para o economista Joeides Pereira, as rádios sofreram certo abalo quando foram transformadas em instrumento político a partir dos anos 80, com a chegada do Sarney ao poder, do qual o rádio brasileiro virou moeda de troca dos Ministros da época que faziam negociatas através de liberação e concessões de rádio e canais de TV’s.
“A classe política no começo dos anos 90 deixou de fazer disputa pelas rádios por problemas financeiros devido ao alto custo para montar uma emissora. Com o processo licitativo os grandes empresários passaram a ter controle sobre os rádios e posteriormente esses mesmos se tornaram políticos, deixando a fronteira entre políticos e empresários misturada”, observou Joeides.
Ele lembrou que a partir dos anos 90 começou uma verdadeira briga entre a política e a igreja em busca de rádio; hoje o radialista, o comunicador, jornalista dificilmente ganham uma concessão de rádio.
“O político tem interesse em entrar com uma concessão de rádio, pois ele entra com o direito em manipular e pensar que os profissionais que trabalham sejam escravos bajuladores. A igreja hoje também detém uma boa parte das concessões de rádio e TV”, comentaram.
Reforçaram que deveria haver critérios para se conseguir uma emissora de rádio ou TV, as concessões deveriam ser entregues apenas a profissionais que trabalham na área.
“Rádio é um instrumento eminentemente político, nas capitais não se percebe muito, pois acontece uma disputa de mercado, mas nas cidades do interior vê-se claramente o quanto o rádio é estratégico para a tomada do poder local e isso às vezes interfere no nível de informações que a população recebe dessas emissoras”, avaliou Joeides Pereira.
Joides falou sobre a 1ª Conferência Nacional de Comunicação que foi realizada em dezembro de 2009, em Brasília DF, onde ele foi eleito delegado e representou Pernambuco.
“A princípio se observou uma disputa até pelo formato como se deu a Conferência que teve a participação da sociedade civil organizada, do empresariado e os profissionais da área de comunicação e telecomunicações que estavam focados na internet e nos meios de levar a internet à população”, salientou.
Joeides citou que havia na Conferência uma disputa entre a ABERT – que é a associação das emissoras de rádios difusores, e uma associação criada a partir da ruptura da Band com a Globo, a qual não participou dessa discussão provocando cobranças pela falta de divulgação do evento e pela sua não participação.
Quanto à participação da sociedade civil foi claro o interesse de buscar um controle para garantir uma programação de qualidade para o público ouvinte. Também tratou do uso público do rádio, conteúdo de programas, racismo e sexualidade, tudo foi bem discutido.
Antigamente o rádio cobrava situações que ajudassem mais o povo, agora, por conta da politização e de interesses econômicos, o radialista hoje se esconde em um estúdio e não vai brigar pelos interesses da população.
“O rádio cresceu e amadureceu. É necessário que os donos do rádio amadureçam, cresçam e invistam na qualidade dos seus profissionais”, aconselharam.
Outro ponto citado na entrevista foi o conteúdo das programações oferecidas pelas emissoras de TV, citando o Big Brother como um exemplo. Lembrando-se dos antigos programas educativos direcionados ao público infantil.
“A TV está banalizada em troca de audiência, você ver no horário das oito horas cenas de sexo e palavrões, isso é péssimo para a formação de uma criança”.
“Participei de rádio novela em 1985. Eu era sonoplasta. Foi muito interessante! Gostaria que essa grande época voltasse. Quando se escutava uma rádio novela o ouvinte ficava idealizando a cena, ficava imaginando como eram as pessoas que estavam do outro lado”, mencionou Joélio.
Encerrando sua participação, Joélio Alves nos informou que é pré candidato pelo PRP (Partido Republicano Progressista) e após trabalhar em várias campanhas de amigos, resolveu aceitar o convite de seu partido e irá concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa nas eleições 2010.
“Pretendo ser um político que vai fazer a diferença, vou mostrar que posso fazer alguma coisa boa, pois política tem que ter sabor, ter emoção, quero ter orgulho de ser político e também deixar orgulhoso quem me der uma chance”, justificou.
Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.






