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Recife

Inversão de Valores

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Inversão de Valores

Por Valdemiro Cruz

Anteriormente todos trabalhavam e muito, os pais acordavam muito cedinho para cuidar da plantação levando seus filhos consigo, enquanto os menorzinhos brincavam sob uma árvore das proximidades, os mais crescidinhos já semeavam ou colhiam ajudando no trabalho da família.

Vida dura, difícil e de poucas disponibilidades, conseguir o sustento da família e a sobrevivência digna e honesta já estava de bom tamanho.

Certo é que os filhos eram criados pelos pais, conviviam, conversavam e absorviam o conhecimento de responsabilidade, partilha, humildade, cooperação, vibravam juntos com as conquistas e o progresso de qualquer um deles. Rezavam juntos em família. Juntos cresciam, juntos viviam, juntos celebravam suas vitorias. As mães preparavam com amor e carinho a refeição que era momento de partilha e diálogo entre todos.

Tinham-se poucas coisas, mas, o suficiente para viver em paz e sem dívidas.

Com o passar do tempo, muitas alterações foram implantadas em nome do progresso e do desenvolvimento, coisas da globalização.

Os pais continuam se matando no trabalho, mas os filhos não mais os acompanham, ficam em creches, cuidados por babás, empregadas domésticas, avós, ou passam maior parte do tempo diante da TV assistindo desenhos de lutas e/ou programação desenvolvida sem o menor critério educacional. Alguns são educados em escolinhas de tempo integral. Terceirizou-se a criação de filhos.

Hoje, criança não convive, não conversa, não interage com os pais, como família. Meios eletrônicos como Face e WhatsApp neutralizaram o dialogo olho no olho, excluíram o afeto de um abraço.

Pais, cada um com seus interesses particulares como, futebol, cerveja, balada, novelas, academia etc., pouco tempo dedica aos pequenos alegando cansaço e stress.

O que aprendem longe do convívio dos pais, os filhos fazem questão de esconder, mas, aproveitam a primeira oportunidade para por em prática. A internet é fonte inesgotável de ensinamentos e tudo de bom e ruim estão disponíveis e acessível 24 horas, diariamente.

Lugar de criança é na escola, mas, não precisava criminalizar o trabalho que ajuda formar o caráter, o desenvolvimento e o espírito de colaboração, bastava coibir a exploração do trabalho infantil.

O resultado das mudanças tem formado jovens e adolescentes liberados, descolados que todos nós conhecemos e sentimos sua atuação e o emprego de toda sua energia nas “raves”, nas baladas, no consumo de álcool e de substâncias, antes inconcebíveis para sua faixa etária. Jovens e adolescentes se envergonham em andar com seus pais.

Uma coisa porem é unanimidade entre crianças, adolescentes, jovens e seus pais, CONSUMISMO. Todos valorizam o TER e cresce o nível de exigências em todos os itens e do sonho de consumo particular de cada um. Roupas e calçados de griff, tablet e celulares de ultima geração, carro de marca e modelo mais sofisticado, baladas e agitação que estejam bombando. Ter apenas um único celular já não atende seus anseios.

Para isso é necessário grana, muita grana e aí o bicho pega. Conseguir grana para bancar todas essas necessidades leva muitos a sacrificar certas regrinhas de conduta e práticas de costumes de honestidade que estão se tornando obsoletos, antiquados, fora de moda. Nessa dinâmica, não levará muito tempo para que seja esquecida ou menosprezada a afirmação de um ícone de nossa história pátria que afirmou com muita propriedade: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a INJUSTIÇA, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a RIR-SE da honra, desanimar-se da justiça e TER VERGONHA de ser honesto” (Rui Barbosa).

Se falha o governo com programas sociais inócuos, inconsistentes e superfaturados, se falha a sociedade que cria normas e modismos irrecomendáveis, quando a família é esfacelada e depois de desestruturada expõe sua fragilidade, resta-nos unicamente apelar para a fé e a esperança no Deus Salvador que deverá vir em socorro de todos nós.

 

Por Valdemiro Cruz, colunista do Blog.