Na tentativa de reorganizar a gestão em Gravatá, no Agreste, a rotina do Interventor Mário Cavalcanti tem sido longe do gabinete. Fugindo ao perfil burocrático característico da função, o Coronel da PM passou os primeiros dias nas ruas. Ele acompanhou o recapeamento do perímetro urbano da BR 232 e participou do mutirão de limpeza nas ruas – um dos pontos mais problemáticos deixados pelo Prefeito Bruno Martiniano, afastado do cargo pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
À frente da Casa Militar no último governo de Miguel Arraes, o interventor acompanhou os dois governos de Eduardo Campos e atuou na Operação Reconstrução, após as enchentes na Mata Sul. Segundo ele, é dessa bagagem que vem a disposição para atuar na recuperação de Gravatá. “Minha intenção é ajeitar o município, equilibrar as contas e devolvê-lo com os serviços funcionando bem ao próximo prefeito”, afirmou.
Por ser Interventor e não ter domicílio eleitoral no município, o militar explica que não pode e nem tem intenções eleitorais. “Com isso, eu fico mais legitimado para administrar a cidade. Deixei isso bem claro a todos os pré-candidatos a prefeito que não tenho nenhuma pretensão eleitoral”, explicou.
Desde a última quarta, o Coronel se reuniu com os ex-prefeitos da cidade e com o sindicato dos servidores. Uma das pendências deixadas pelo prefeito afastado foi o atraso no pagamento do salário de mais de 400 servidores. As contas do município ainda estão bloqueadas pela Justiça, mas o interventor já se reuniu com o Juiz Severiano de Lemos, da 1ª Vara Cível do Município, pedindo a liberação. Não se sabe ao certo qual o saldo nas contas da prefeitura. Mas o rastro de prejuízo é elevado. O interventor encontrou débitos de R$ 541 mil na conta de luz, R$ 200 mil na água e R$ 80 mil em dívidas de telefone. Quanto à coleta de lixo, a empresa prestadora de serviço estava há oito meses sem recolher os dejetos.
Para o presidente do Sindicato dos Servidores de Gravatá (Sindsgra), Marcelo de Brito, a impressão nos primeiros dias é positiva. “A perspectiva está boa, apesar do pouco contato. Ele está se mostrando bem solícito e com vontade de fazer”, avaliou. O sindicalista conta que a relação da Prefeitura com os servidores estava desgastada, porque acordos anteriores não haviam sido cumpridos.
A intervenção em Gravatá foi anunciada na segunda última pela Côrte Especial do TJPE, após serem identificados uma série de irregularidades na gestão, como dispensa indevida de licitação e de sobrepreço na gestão da prefeitura.







