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Impasse do maracatu continua na Mata Norte de PE

  • Lissandro Nascimento
Impasse do maracatu continua na Mata Norte de PE

Jornal do Commercio

Exatos nove dias após a reunião ocorrida entre maracatuzeiros de Nazaré da Mata, a promotoria do município e a Fundarpe, na própria cidade, representantes de maracatus de baque solto de diversos municípios da Zona da Mata Norte do Estado foram os protagonistas de uma audiência pública sexta-feira, no Recife.

O impasse continua, mas o encontro foi encerrado, após mais de duas horas e meia de duração, com a promessa de que a situação da secular cultura da Mata Norte seria debatida com as promotorias de todas as cidades da região da forma mais rápida possível.

A solicitação da reunião havia sido feita na sexta-feira da semana passada por uma comissão formada por maracatuzeiros, entre eles Manoelzinho Salustiano, mais Maciel Salu, Siba e a advogada, Liana Cirne, integrante dos grupos Direitos Culturais e Direitos Urbanos. O objetivo era expor aos promotores da capital pernambucana a situação repressiva pela qual vêm passando os grupos. O problema sofrido é o mesmo em toda a região: os ensaios e as sambadas dos maracatus são obrigados a terminar às 2h.

Pela tradição, os festejos têm início à noite e seguem até o Sol nascer na manhã seguinte, por volta das 5h ou 6h. A brincadeira tem que amanhecer para ser legítima. “O melhor da sambada é entre 3h e 5h, quando os dois mestres estão em pleno improviso”, ressaltou Manuelzinho. “Se acabarem mesmo com nosso horário, não faz nem sentido mais a gente fazer maracatu”, entristeceu-se mestre João Paulo.

Mestres de Aliança, Nazaré, Tracunhaém, Buenos Aires, Condado e até do Recife estiveram presentes ontem e expuseram a questão aos promotores Marcos Aurélio, Maxwell Vignoli, André Felipe e Ricardo Coelho. “Isso já vem ocorrendo há mais de dois anos e não podemos admitir que aconteça com nossa cultura o que aconteceu com a indígena. Ela tem que continuar a ser passada da forma correta para as futuras gerações”, disse Maciel Salu.

O promotor Ricardo Coelho garantiu que o MPPE irá “resolver em conjunto com as outras promotorias de forma urgente e imediata” e que considera um “absurdo sem tamanho” o que vem ocorrendo com os maracatus. Apesar de não terem chegado a uma solução, os maracatuzeiros mostraram-se firmes em seus pedidos e disseram que continuarão cobrando uma medida do poder público.