“Golpe não é somente militar, com armas e tanques nas ruas. O que houve no Brasil com esse processo forjado foi um golpe parlamentar”.
por Humberto Costa, Senador/PE
Ao longo de todo o doloroso processo que foi o julgamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, não faltou quem nos acusasse de tudo. Denunciamos o golpe e por isso fomos chamados de loucos e radicais. Defendemos não apenas uma governante íntegra, honesta e que não cometeu crime algum. Mas pugnamos pelo direito de 54 milhões de brasileiros que nela votaram e viram o mandato que lhe conferiram ser degolado, sem motivo, da noite para o dia. O tempo (pouquíssimo) provou que estávamos, e estamos, certos.
Golpe não é somente militar, com armas e tanques nas ruas. O que houve no Brasil com esse processo forjado foi um golpe parlamentar, apoiado por setores da mídia, por ampla parcela do Ministério Público e do Judiciário, por parte expressiva do Congresso Nacional e por “movimentos” arrumados e financiados pelos partidos então de oposição. Esse processo golpista começou, como é sobejamente conhecido, no dia da apuração dos votos que deu a reeleição à presidenta Dilma. Foi noticiada a festa que já estava acontecendo no comitê do candidato derrotado, àquela altura na frente da apuração. Candidato, assessores, políticos e celebridades soltavam fogos e brindavam a vitória de Pirro. Minutos depois, saía o resultado final com o PT ganhando a eleição presidencial pela quarta vez consecutiva. Ali começou a ser tramado o golpe, este sim, vitorioso.
O segundo mandato da presidenta foi a crônica da execução anunciada. A eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara dos Deputados, contra a vontade de Dilma, foi a senha para os golpistas se assanharem. Passou-se a ver na figura patética e delinquente de Cunha o instrumento ideal para o golpe. Acuado por denúncias graves de corrupção e enriquecimento ilícito, o presidente da Câmara não conseguiu do Planalto a guarida que esperava. E, junto com a súcia que lhe acompanhou e acobertou, contra-atacou pesado, com pautas-bombas e com o acolhimento da tese do impeachment.
Cunha conseguiu um apoio decisivo dentro do governo. O vice-presidente da República passou a conspirar abertamente, rasgando a máscara e assumindo seu papel de traidor e de usurpador. Michel Temer, sem voto, sem legitimidade e sem estatura moral nem para o cargo que ocupava, foi peça fundamental para o fechamento do jogo. Consumada a destituição da presidenta eleita, o golpista tratou, rapidamente, de dizer a que veio.
As ações perpetradas por Temer e seu governo ilegítimo comprovam que o golpe é real. De 12 de maio, quando assumiu interinamente a Presidência, até hoje, efetivo no cargo desde 31 de agosto, tudo tem feito para pôr em prática um programa que jamais seria aprovado pelo voto. Um programa soprado pela Fiesp e abraçado veladamente pelo PSDB. Tucano nenhum teve coragem de dizer ao eleitor que queria desmantelar a previdência, desarticular os movimentos sociais, podar com mãos de tesoura as verbas da educação, privatizar a saúde, estrangular o Minha Casa, Minha Vida, expulsar nomes históricos da Comissão de Anistia e eleger em seus lugares fanáticos pela ditadura militar.
O que Temer, essa diminuta figura sem voto, vem fazendo é consolidar o golpe que ele ajudou a aplicar na democracia brasileira. Foi posto ali para aquilo. Por isso tem medo de sair às ruas, de vir ao Nordeste, desfila no Sete de Setembro com carro fechado e evita até fazer discurso. A reação das ruas é aquela que hoje virou hino nas manifestações populares, nos teatros e cinemas, nos shows de música, nos estádios e nas praças esportivas: “Fora, Temer!”. Não entende que houve um golpe apenas quem não quer. O povo já entendeu.








