O caçador de nuvens
da Coluna Pinga Fogo, do Jornal do Commercio
O senhor Diretas Já, o operário da Constituição de 1988 ou simplesmente o doutor Ulisses. Hoje, a coluna rende homenagem a Ulisses Guimarães, um político que morreu há 20 anos em um acidente aéreo, deixando um legado que foi fundamental para a redemocratização do Brasil.
O Senado realiza, nessa segunda-feira (15), uma sessão especial para lembrar a trajetória de Ulisses, que gostava de se autointitular um caçador de nuvens por já ter enfrentado muitas tempestades ao longo da vida. Liderou a campanha das Diretas Já na década de 80 e era o presidente da Câmara dos Deputados quando se promulgou a Constituição de 88, chamada por ele de cidadã por instituir avanços sociais. Por seus posicionamentos, chegou a ser considerado um radical pelo Regime Militar.
Para Jarbas Vasconcelos, Ulysses faz falta principalmente num momento como esse, quando o Supremo Tribunal Federal julga o processo do mensalão, no qual a questão da falta de ética no exercício da política é o grande pano fundo do maior escândalo de corrupção da história republicana brasileira.
Para Fernando Lyra, Ulisses foi o político mais importante do PMDB. Fez parte do grupo dos autênticos do antigo MDB. De moderador, passou a ser considerado radical. Por isso, seu nome sofreu resistência em 1984 quando o PMDB disputou, de forma indireta, a Presidência da República. Terminou apoiando Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Isso é história.







