por Hely Ferreira*
Fruto de encontros entre amigos no Rio de Janeiro, a Bossa Nova foi aos poucos ganhando espaço na história da Música Popular Brasileira.
Como primeira cantora de expressão nacional a gravar o novo estilo musical foi a “divina’ Elizete Cardoso, dando impulso ao movimento, que aos poucos deixava os apartamentos cariocas para ganhar visibilidade nacional.
Sempre que se menciona algum fato histórico é, impossível não lembrar de alguns ícones, com a Bossa Nova não é diferente. Figuras como Dick Farney, João Donato (embora ele diga não pertencer ao movimento), Silvia Teles (Talvez a menos lembrada), Marcos Vale e seu irmão Paulo Sérgio Vale, Ronaldo Boscoli, Carlos Lyra, Roberto Menescal e a tríade imparagonável entre João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
Filha direta do Jazz, a Bossa Nova trouxe ao cenário musical algumas inovações. Dentre elas, podemos destacar a batida do violão e a nova maneira de cantar. Vale salientar, que antes da maneira aveludada de interpretação trazida por João Gilberto só era considerado um grande cantor que tivesse o chamado vozeirão. Assim, a interpretação de João Gilberto foi imprescindível aos demais intérpretes. Tanto é, que até os dias atuais, aqueles que se identificam com a chamada MPB tem sempre o João Gilberto como fonte de inspiração. Cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil e até Roberto Carlos reconhecem a influência do grande João em sua formação musical.
Infelizmente, a Bossa Nova comemorou cinqüenta anos, justamente em um dos piores momentos da história da música nacional. Talvez seja o motivo de tão pouca divulgação através dos meios de comunicação.
Sou de uma geração onde cada final de ano havia nas quatros últimas sextas-feiras do mês de dezembro um programa na TV chamado de GRANDES Nomes. Era o momento onde tínhamos a certeza de que seriam apresentados shows de figuras emblemáticas da MPB. Lamentavelmente, não existe mais o programa e os shows desapareceram dos canis de televisão, resumindo-se ao nada criativo show de Roberto Carlos. No mais, ficamos apenas na nostalgia de uma programação de boa qualidade musical.
Por Hely Ferreira
* Cientista Político








