Vida Real visita o Irã e o Iraque nesta terça
25.03.2008 às 11h42m
O Vida Real desta terça-feira (25) veio à Vitória de Santo Antão, para conhecer duas comunidades: Irã e Iraque. Diferente dos países no Oriente Médio, a guerra nestes bairros não é por território ou petróleo, mas por água.
O programa denuncia a falta de estrutura das ruas e de uma escola no bairro do Iraque. Você vai conhecer também uma vila que possui 366 casas, todas novas. Recém-construídas, elas estão prontas desde o dia 27 de setembro e encontram-se fechadas.
No Irã, o problema é a falta de estrutura. A água lá só chega de 15 em 15 dias. Os ônibus não entram na comunidade e em algumas ruas nem carro passa.
O programa denuncia a falta de estrutura das ruas e de uma escola no bairro do Iraque. Você vai conhecer também uma vila que possui 366 casas, todas novas. Recém-construídas, elas estão prontas desde o dia 27 de setembro e encontram-se fechadas.
No Irã, o problema é a falta de estrutura. A água lá só chega de 15 em 15 dias. Os ônibus não entram na comunidade e em algumas ruas nem carro passa.
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CONFIRA O QUE A GLOBO CONSTATOU NESTES BAIRROS:
Moradores de Vitória de Santo Antão vive guerra do Irã e Iraque
25.03.2008 às 12h20m
Mas a falta de asfalto não é o único ponto a ser comparado entre essas duas comunidades de Vitória de Santo Antão, na Região Metropolitana do Recife, e os países do Oriente Médio.
A violência também assusta quem chega ao local. “Não é o Irã lá do Oriente Médio, mas aqui tá quase igual porque a violência todo dia tá aumentando e a gente tem que agradecer a vocês que vieram fazer essa reportagem aqui para as autoridades tomarem uma decisão a favor de nós”, diz um morador do Irã.
O medo muda a rotina da vida de crianças e faz os moradores se recolherem em suas casas, como se fossem fortalezas. “Eu mesma fico dentro de casa e não saiu nem deixo minhas crianças brincando na rua, só de dia mesmo e eu olhando”, conta a dona de casa Betânia do Nascimento.
Além do medo, a violência leva um segundo problema para os moradores: o preconceito. “Quando eu digo que moro aqui, o povo diz: ‘aí meu Deus!, tu não tem medo não daquele lugar? Vai pegar fogo’ vai nada!até agora não pegou”, reclama uma moradora do Irã.
No meio da ladeira, seu Biu grita para a meninada do Iraque. “Bora, bora. Vocês estão com medo de quê? Aqui não tem bicho não. Aqui tem cidadão de bem”, afirma.
A violência também assusta quem chega ao local. “Não é o Irã lá do Oriente Médio, mas aqui tá quase igual porque a violência todo dia tá aumentando e a gente tem que agradecer a vocês que vieram fazer essa reportagem aqui para as autoridades tomarem uma decisão a favor de nós”, diz um morador do Irã.
O medo muda a rotina da vida de crianças e faz os moradores se recolherem em suas casas, como se fossem fortalezas. “Eu mesma fico dentro de casa e não saiu nem deixo minhas crianças brincando na rua, só de dia mesmo e eu olhando”, conta a dona de casa Betânia do Nascimento.
Além do medo, a violência leva um segundo problema para os moradores: o preconceito. “Quando eu digo que moro aqui, o povo diz: ‘aí meu Deus!, tu não tem medo não daquele lugar? Vai pegar fogo’ vai nada!até agora não pegou”, reclama uma moradora do Irã.
No meio da ladeira, seu Biu grita para a meninada do Iraque. “Bora, bora. Vocês estão com medo de quê? Aqui não tem bicho não. Aqui tem cidadão de bem”, afirma.
Falta de infra-estrutura no Irã e Iraque faz mulher perder pontos
25.03.2008 às 12h50m
As comunidades do Irã e Iraque, em Vitória de Santo Antão, não estão em guerra por causa do petróleo, mas o cenário local parece de um lugar devastado pela guerra. As ruas são formadas por ladeiras esburacadas e avermelhas por causa do barro.
A falta de infra-estrutura dificulta a vida dos moradores que precisam utilizar transporte para se locomover. “O Iraque está em guerra, sem saneamento, sem esgoto, sem nada aqui. O povo tá esquecido é um bairro destruído”, diz um morador.
De acordo com os moradores apenas parte da Rua 6 no Iraque, foi asfaltada. O resto do bairro está sem rede de esgoto e com muitos buracos. A lama invade as casas quando a chuva chega “Quando tá com chuva pra gente levar as crianças pra escola. Meu menino já caiu. Não fizeram calçamento, não fizeram nada”, conta uma moradora.
“Isso tá certo? Tá certo? Um negócio desse não existe nem na China. Do outro lado do mundo não existe, só com a gente que é sofredor e pai de família”, revolta-se um morador.
No Irã, Ednaldo Luís também tem a mesma queixa. “Como é muita ladeira, fica difícil passar aqui com uma pessoa doente e carro e moto não querem entrar”, diz. O motoqueiro Manuel Cesário da Cruz, não mora na comunidade, mas é obrigado a concordar com o amigo. “A casa dele fica lá em baixo e eu não conseguir chegar. Qual a moto que chega aqui?”, questiona.
Mas o pior drama desta falta de estrutura no Irã foi por Maria José dos Santos da Silva, de 28 anos. Ela estava recém operada de parto e teve os pontos da cirurgia rompidos por ter que andar na ladeira. “O carro não queria descer porque, se ele descesse, não subia. Aí, me deixou ali e eu desci a pé, com a menina segurando pelo meu braço”, conta.
A falta de infra-estrutura dificulta a vida dos moradores que precisam utilizar transporte para se locomover. “O Iraque está em guerra, sem saneamento, sem esgoto, sem nada aqui. O povo tá esquecido é um bairro destruído”, diz um morador.
De acordo com os moradores apenas parte da Rua 6 no Iraque, foi asfaltada. O resto do bairro está sem rede de esgoto e com muitos buracos. A lama invade as casas quando a chuva chega “Quando tá com chuva pra gente levar as crianças pra escola. Meu menino já caiu. Não fizeram calçamento, não fizeram nada”, conta uma moradora.
“Isso tá certo? Tá certo? Um negócio desse não existe nem na China. Do outro lado do mundo não existe, só com a gente que é sofredor e pai de família”, revolta-se um morador.
No Irã, Ednaldo Luís também tem a mesma queixa. “Como é muita ladeira, fica difícil passar aqui com uma pessoa doente e carro e moto não querem entrar”, diz. O motoqueiro Manuel Cesário da Cruz, não mora na comunidade, mas é obrigado a concordar com o amigo. “A casa dele fica lá em baixo e eu não conseguir chegar. Qual a moto que chega aqui?”, questiona.
Mas o pior drama desta falta de estrutura no Irã foi por Maria José dos Santos da Silva, de 28 anos. Ela estava recém operada de parto e teve os pontos da cirurgia rompidos por ter que andar na ladeira. “O carro não queria descer porque, se ele descesse, não subia. Aí, me deixou ali e eu desci a pé, com a menina segurando pelo meu braço”, conta.
Falta d’água atrapalha educação de menino em Vitória de Santo Antão
25.03.2008 às 13h06m
Como em toda guerra, o cenário no Irã e Iraque pernambucano também é de pobreza. A dona de casa Valkíria Dionízio, mãe de um bebê de um mês, preocupa-se com o futuro do filho. “O que eu não tive, quero dar aos meus dois filhos. Lazer, necessidade. Que eles tenham escola, educação, um lanche que venha procurar. Eu só tive alguma coisa melhor depois de adulta”, diz.
A dificuldade de criar os filhos, comum aos moradores, é também prejudicada por um outro motivo: a falta d’água. No Irã, a única forma deles conseguirem água é através de quatro caminhões pipas, que a Compesa manda por semana. E como está realidade prejudica o futuro das crianças?
Nesta terça-feira (25), o Vida Real conheceu o menino Alex Oliveira, de 9 anos, que perde aulas para ajudar a avó a carregar água na cabeça. “Atrapalha mais ou menos porque a pessoa não consegue ler, só ler se for para a escola todo dia. Às vezes, minha avó sai e eu fico fazendo o comer”, conta o garoto.
Além das crianças, os mais velhos sofrem com a situação. “Pra uns chega e outros não. Eu compro água, né?” diz em meio a um suspiro de dor. “Cansada, pela idade, subindo essa ladeira”, diz a moradora do Iraque. E quem não tem dinheiro para comprar, apara a água da chuva.
E os moradores exigem seus direitos. “A gente sofre bastante, a gente quer água aqui no Irã, porque a gente é gente, não é bicho não”, revolta-se uma moradora.
A dificuldade de criar os filhos, comum aos moradores, é também prejudicada por um outro motivo: a falta d’água. No Irã, a única forma deles conseguirem água é através de quatro caminhões pipas, que a Compesa manda por semana. E como está realidade prejudica o futuro das crianças?
Nesta terça-feira (25), o Vida Real conheceu o menino Alex Oliveira, de 9 anos, que perde aulas para ajudar a avó a carregar água na cabeça. “Atrapalha mais ou menos porque a pessoa não consegue ler, só ler se for para a escola todo dia. Às vezes, minha avó sai e eu fico fazendo o comer”, conta o garoto.
Além das crianças, os mais velhos sofrem com a situação. “Pra uns chega e outros não. Eu compro água, né?” diz em meio a um suspiro de dor. “Cansada, pela idade, subindo essa ladeira”, diz a moradora do Iraque. E quem não tem dinheiro para comprar, apara a água da chuva.
E os moradores exigem seus direitos. “A gente sofre bastante, a gente quer água aqui no Irã, porque a gente é gente, não é bicho não”, revolta-se uma moradora.
Irã e Iraque não. Loteamento Conceição, contesta morador
25.03.2008 às 13h21m
Durante a visita do Vida Real nas comunidades do Irã e Iraque, uma moradora chorou ao contar como é viver em uma casa de taipa e barro. “Eu queria que o prefeito me desse uma casinha, ganhar uma casinha pra meus filhos ou fazer uma”, diz emocionada.
Mas o pior de tudo na desilusão da dona da casa que sonha com um auxílio das autoridades é saber que existem 366 casas construídas pelo governo, desde setembro de 2007, mas que até agora não foram entregues a quem precisa.
As casas e o serviço de terraplanagem custaram R$ 3,6 milhões, mas para os moradores é como se elas não existissem. “Eu desafio o prefeito, o vice-prefeito, a autoridade competente para vim aqui no Loteamento Conceição pra ver a situação de nós aqui”, convoca outra moradora.
Depois de tanto descaso, os moradores estão descrentes. “Aqui a gente só tem ajuda na política, é entregando papel por baixo das portas”, diz Edmilson Crispim Barbosa, desempregado. “Não acredito não. Eles só fazem prometer a Deus e o mundo e nada acontece. Faz seis anos que eu moro aqui e não vejo nada”, desconfia Ana Cláudia dos Santos.
O presidente da cooperativa do Loteamento Conceição, Severino Veloso Oliveira, diz que os moradores já buscaram seus direitos na prefeitura, mas que no órgão municipal está como se as ruas fossem calçadas.
Segundo ele, o bairro deveria mudar de realidade a começar pelo nome. “É o Loteamento Conceição, mas tem esse apelido de Irã e Iraque, eu não conheço isso aqui desse jeito não”. Eles pensam que quem mora aqui é o povo de Sadan Hussein. Quem mora aqui é pai de família, é mãe de família, é cidadão de bem. A gente quer paz, calma e consideração com todo mundo”, exige seu Severino.
Mas o pior de tudo na desilusão da dona da casa que sonha com um auxílio das autoridades é saber que existem 366 casas construídas pelo governo, desde setembro de 2007, mas que até agora não foram entregues a quem precisa.
As casas e o serviço de terraplanagem custaram R$ 3,6 milhões, mas para os moradores é como se elas não existissem. “Eu desafio o prefeito, o vice-prefeito, a autoridade competente para vim aqui no Loteamento Conceição pra ver a situação de nós aqui”, convoca outra moradora.
Depois de tanto descaso, os moradores estão descrentes. “Aqui a gente só tem ajuda na política, é entregando papel por baixo das portas”, diz Edmilson Crispim Barbosa, desempregado. “Não acredito não. Eles só fazem prometer a Deus e o mundo e nada acontece. Faz seis anos que eu moro aqui e não vejo nada”, desconfia Ana Cláudia dos Santos.
O presidente da cooperativa do Loteamento Conceição, Severino Veloso Oliveira, diz que os moradores já buscaram seus direitos na prefeitura, mas que no órgão municipal está como se as ruas fossem calçadas.
Segundo ele, o bairro deveria mudar de realidade a começar pelo nome. “É o Loteamento Conceição, mas tem esse apelido de Irã e Iraque, eu não conheço isso aqui desse jeito não”. Eles pensam que quem mora aqui é o povo de Sadan Hussein. Quem mora aqui é pai de família, é mãe de família, é cidadão de bem. A gente quer paz, calma e consideração com todo mundo”, exige seu Severino.
Fonte: pe360graus.






