Publicado em 17.05.2009
Dívida bruta da Sadia e da Perdigão soma R$ 14,8 bilhões, mas da metade do faturamento projetado para a nova empresa, que é de R$ 22 bilhões
SÃO PAULO e BRASÍLIA – A nova companhia resultante da compra da Sadia pela Perdigão já vai nascer com um elevado nível de endividamento. Segundo os balanços divulgados esta semana, a soma das dívidas brutas de Sadia e Perdigão chega a R$ 14,8 bilhões. Isso é muito mais da metade do faturamento líquido projetado para a nova empresa, de R$ 22 bilhões anuais, o que preocupa o mercado. Só a Sadia informou, em seu balanço, ter vencimentos de R$ 4,27 bilhões até março de 2010.
Embora com um perfil de endividamento melhor que o da Sadia — que depois do rombo de R$ 2,5 bilhões com operações de derivativos de câmbio, em setembro de 2008, teve de se financiar no mercado em condições muito ruins (juros muito altos e prazos curtos) —, a Perdigão viu sua dívida bruta saltar de R$ 3,6 bilhões para R$ 5,4 bilhões nos 12 meses encerrados em março último.
Em teleconferência anteontem com os analistas, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Perdigão, Leonardo Saboya, disse que o endividamento não está em um patamar desejável ou adequado. “As duas estão bastante alavancadas, sim. Por isso, será preciso uma capitalização da nova empresa”, afirmou Rafael Cintra, analista da Link Investimentos.
No fim de março, o endividamento líquido da Sadia correspondia a 7,2 vezes a sua capacidade de geração de caixa anual (Ebitda, ou lucro antes dos pagamentos de impostos, juros, amortizações e depreciações), muito longe dos padrões usadas pela companhia antes da crise dos derivativos, que era de uma a duas vezes o Ebitda. No caso da Perdigão, o nível de endividamento está em 3,1 vezes o Ebitda.
As duas empresas tem unidades em Pernambuco. A Sadia inaugurou uma fábrica em Vitória de Santo Antão no mês de março, com a presença do presidente Lula. Já a Perdigão, pretende inaugurar fábrica de Bom Conselho em Junho.
Em outra frente, a análise da fusão da Sadia com a Perdigão pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) poderá ser concluída apenas no fim deste ano e o negócio tende a ser suspenso até a conclusão do conselho. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, em negócios que envolvem grandes empresas a tendência é de um julgamento mais demorado e, enquanto isso, os conselheiros evitam que a operação se torne irreversível, por meio da venda de ativos, da demissão de funcionários ou da fusão da estrutura empresarial.
Segundo o ex-conselheiro do Cade Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da UFRJ, é provável que haja um Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro), que impõe medidas preventivas.
(Jornal do Commercio).
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