
Diário do ABC
De vendedor de picolés nas ruas do município da Vitória de Santo Antão, interior de Pernambuco (a 53 km da capital,Recife), para jogar futebol na rica São Caetano, cidade com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País. Esta é, até aqui, a síntese da vida do atacante Geovane, 26 anos, que espera aproveitar a passagem pelo Azulão para alçar voos mais altos e jogar em grande clube, como o Corinthians, exemplifica o camisa 11.
Filho adotivo de família de 12 irmãos, o atleta conta em detalhes e sem constrangimentos a vida dura da infância nordestina. A primeira adversidade foi aceitar o fato de que não podia ter por perto os pais biológicos. “Meus pais (Nevinha e Alfredo) eram muito pobres. Quando eu tinha seis meses, me deram para uma família conhecida da minha mãe me criar. Essa família tinha condição um pouco melhor”, revela o jogador.
Embora tenha ganhado novo lar e irmãos – passou a ser o mais novo da turma -, Geovane não teve vida fácil na infância. Foi às ruas vender picolé para ajudar no orçamento familiar até que surgiu, aos 12 anos, o sonho de se tornar jogador. “Comecei no time de futsal do Vitória de Santo Antão, depois fui para o campo. Vendia sorvete de manhã e treinava à tarde. Mas quando fui para o futebol de campo e comecei a disputar campeonatos, parei de vender sorvete e fui para a escola. Ganhei bolsa de estudos do clube. Exigiram que eu voltasse para a escola.”
A vida nômade, porém, não permitiu que Geovane seguisse com os estudos. Aos 16 anos, se transferiu para o Vera Cruz – rival do Vitória de Santo Antão -, onde obteve as primeiras conquistas. Ajudou o time a subir da Série C para a B e depois para a elite do Estadual. Foi no retorno ao Vitória, porém, que veio o salto na carreira. Em 2005, foi campeão da Copa Pernambuco e ajudou a equipe a garantir vaga na Série C do Campeonato Brasileiro.
“Foi um jogo contra o América-RN que mudou minha vida. Fiz boa partida e eles me contrataram. No Estadual também fui bem e terminei como vice-artilheiro, com dez gols, três a menos que o Wallyson (atacante do Cruzeiro, artilheiro da Libertadores 2011 com sete gols ao lado de Roberto Nanni, do Cerro Porteño).”
O momento do São Caetano não é lá muito bom e Geovane espera seguir balançando as redes para aumentar as chances de renovação. O vínculo com o clube termina em maio, após o encerramento do Paulistão. “O São Caetano é bom clube. Quero ficar e acredito que são boas as chances de renovação. Faltam poucas rodadas e espero que a gente se classifique para a segunda fase. Meu desejo é ajudar o clube a voltar à Série A do Brasileiro e, quem sabe, em um ano, ir para um clube grande como o Corinthians ou o Flamengo.”
Geovane não tem planos – porém não descarta – de jogar fora do Brasil no momento. A única experiência internacional aconteceu em 2008, quando passou dez meses no Daegu FC, da Coréia do Sul. No retorno ao Brasil, defendeu Mogi Mirim e Guarani.
Confira a matéria completa Clicando aqui







