A Assembleia lança às 10h de hoje, no plenário, a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). O objetivo é envolver parte dos deputados em questões de interesse do movimento gay. Segundo Isaltino Nascimento (PT), que responderá pela presidência do grupo, essa será a primeira frente do Nordeste. Na Câmara Federal já existe iniciativa semelhante.
Segundo Isaltino, a Frente também foi convidada para participar da Parada Gay, que acontece domingo, em Boa Viagem. O petista confirmou presença. Assim como nos anos anteriores, ele estará no trio de abertura. Os demais 14 parlamentares que compõem a Frente são: Augusto Coutinho (DEM), Antônio Moraes (PSDB), Clodoaldo Magalhães (PTB), Elina Carneiro (PSB), Izaías Régis (PTB), Jacilda Urquisa (PMDB), João Fernando Coutinho (PSB), Lucrécio Gomes (PV), Luciano Moura (PCdoB), Nadegi Queiroz (PMN), Pedro Eurico (PMDB), Sérgio Leite (PT), Tereza Leitão (PT), Terezinha Nunes (PSDB).
A Assembleia atendeu a um pedido do Fórum LGBT de Pernambuco. Como parte de orientação da 1ª Conferência Nacional LGBT, realizada em junho de 2008, os Estados devem compor a frente em seus parlamentos. “É importante que na Assembleia exista um grupo que estabeleça esse elo com o movimento, na votação de leis, em realização de audiências públicas, discussões”, avaliou o deputado.
Entre os temas que provavelmente deverão ser tratados pela Frente estão o combate à violência e o direito à previdência. “Quando fui vereador, apresentei projeto de lei de combate ao preconceito e à homofobia. Temos um projeto semelhante para o Estado, que hoje aguarda o parecer da Comissão de Constituição e Justiça”.
(Jornal do Commercio).
Homofobia ainda é realidade no Brasil
Compravação é resultado de um estudo feito pela fundação paulista Perseu Abramo
ROBERTA MEIRELES
Às vésperas da 8ª Parada da Diversidade no Recife, pesquisa divulgada na última terça-feira mostra que a homofobia continua forte no Brasil. Estudo feito pela fundação paulista Perseu Abramo, intitulado “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: Intolerância e respeito às diferenças sexuais”, de algum modo, 99% dos brasileiros têm preconceito contra o público LGBT.
Em Pernambuco, uma prova da discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros é o número de homicídios de pessoas desses gêneros no Estado: 27 casos em 2008, segundo dados do Grupo Gay da Bahia.
De acordo com o coordenador do Projeto Diversidade Sexual como Direito do Instituto PAPAI, Thiago Rocha, que trouxe a pesquisa para o Estado, foram captadas nuances da homofobia velada. “Para perguntas como ‘você deixaria sua amiga lésbica dormir na sua casa?’, a maioria das pessoas respondeu que não sabia ou tinha dúvida, por exemplo”, explicou. Ele comentou que há três dias seu companheiro foi discriminado. “Ele reclamou com pedreiros de uma construção que estava bloqueando o acesso de uma via, e começaram a falar ‘ai, a bichinha’ e coisas do tipo”.
O preconceito da sociedade pode levar os homossexuais a se discriminarem. Esse é o caso do assistente de projetos da ONG Gestos, Sérgio Costa, que embora seja militante da causa, se autocensura. “Eu não combato a violência de frente. Não ando com meu namorado de mãos dadas na rua, nem troco carinhos com ele em ambiente hétero. Sei que se eu fizer isso vão me pedir para sair de lá. Tenho receio”, disse.
Segundo ele, a família e os amigos não o discriminam. “O que acontece às vezes é preconceito por parte da família dos meus amigos, que acham que o parente é gay só por andar comigo”, contou.
Segundo o coordenador do Movimento Gay Leões do Norte, Rildo Veras, a homofobia no País é institucionalizada. “Principalmente nas unidades de saúde e nas escolas. Lugares que deveriam quebrar preconceitos têm fortalecido-os”, falou. “A forma das lésbicas de praticar o sexo não é levada em consideração em exames ginecológicos, por exemplo”. A empresária Maria do Céu, dona da boate gay Metrópole, contou que um amigo foi discriminado em uma delegacia de polícia. “Ele estava ‘montado’ (vestido como mulher), e foi renegado, não foi atendido”.
Para Maria do Céu, embora a homofobia ainda seja forte, o movimento LGBT já teve muitas conquistas. “Agora os homossexuais estão reivindicando seus direitos. Em Pernambuco está se levando essa questão a sério, junto com os grupos de direitos humanos. As pessoas estão agindo de uma forma ativa e séria, se articulando para garantir a inclusão social”, apontou. A Leões do Norte atualmente faz parte do Conselho Estadual de Saúde e da Gerência de Direitos Humanos.
(Folha de Pernambuco).
(Folha de Pernambuco).







