No início de 1967, Costa e Silva foi “eleito” presidente da República. Naquele cenário, qualquer perspectiva ou estratégia criada pela oposição era de imediato tolhida. O Poder Legislativo embora procurasse atuar dentro da legalidade, o máximo que conseguia era a tolerância dos militares, vez que sempre havia algo barrado pelo governo, ou através das cassações, ou com o fechamento do Congresso, de acordo com o decreto presidencial.
Assim sendo, o MDB não tinha condições de exercer uma oposição capaz de desempenhar com reais condições de um partido político na oposição. Os principais nomes da política nacional buscavam criar um movimento de oposição, não sendo ligado a nenhum partido político, procurando sobrepujar disputas passadas, em nome da democracia. Com seus planos frustrados, Carlos Lacerda buscou aproximar-se de Juscelino e de Jango onde, juntos, criaram a Frente Ampla. Porém, a atividade da Frente foi sufocada.
A oposição passou a ser feita nas ruas, a mobilização dos estudantes, trabalhadores e artistas ganharam muito destaque. Vale lembrar que ao UNE (União Nacional dos Estudantes) apoiou as Reformas de Base, mas durante o governo de Costa e Silva (1967-1969), sofreu muita repressão. Em março de 1968 aconteceu uma manifestação em frente ao restaurante Calabouço, ligado a Universidade Federal do Rio de janeiro, reivindicando uma melhor qualidade na alimentação e baixa dos preços.
Sendo convocada a Polícia, ocorreu a morte do estudante Edson Luís de Lima Souto. Daí em diante, as manifestações passaram a ocorrer nas universidades brasileiras. A violência adotada pelo governo com o afã de impedir as manifestações estudantis levou os estudantes a conquistarem apoio da classe média e da Igreja, tendo como ápice a passeata dos cem mil no Rio de Janeiro. Naquele mesmo ano, o Congresso clandestino da UNE foi descoberto pela polícia, prendendo 1.240 das principais lideranças estudantis.
Por Hely Ferreira,
Cientista Político.









