Para a ONU, a crise econômica expôs a fragilidade das redes de proteção social no mundo e fez a meta de reduzir pela metade o número de famintos até 2015 se tornar praticamente impossível. A conclusão é que os anos de 2008 e 2009 serão os primeiros em quatro décadas a registrar um aumento brusco da proporção de pessoas que passam fome.
A avaliação é feita no momento em que a FAO se prepara para sediar, em novembro, uma cúpula mundial sobre alimentação. Sessenta países já sofreram com protestos violentos contra a fome. Mais de 1,02 bilhão de pessoas não têm o que comer. A FAO iniciou o registro dos famintos em 1970 e nunca o número havia atingido esse patamar.

Se o número absoluto este ano é o maior já registrado, a proporção em relação à população mundial em 1969 era de 34%. Em 2004, essa taxa caiu para 16%. Mas hoje beira os 20%. “Ninguém ficou imune à crise. Mas foram os mais pobres que sofreram mais”, apontou o diretor da FAO, Jacques Diouf.
O maior problema está na Ásia, com 642 milhões de famintos. Na África Subsaariana, são outros 265 milhões. Praticamente todo o problema da fome está nos países em desenvolvimento. Em todos os países ricos juntos, o número de famintos é de 15 milhões.
BOLSA FAMÍLIA
O Brasil, porém, conseguiu evitar o pior. Segundo a FAO, a ampliação do Bolsa Família de 10,6 milhões de famílias para 11,9 milhões, o aumento do salário mínimo em 12% (duas vezes mais que inflação), a ampliação do seguro-desemprego e o apoio ao pequeno agricultor foram essenciais. Isso ocorreu apenas porque o País teria espaço fiscal para adotar as medidas e conseguiu evitar que a tendência no restante do continente fosse repetida.
A FAO indica ainda que, no Brasil, o consumo diário de calorias é de 3.090. O montante é superior ao de todos os países sul-americanos, incluindo a Argentina. Mas o consumo em Cuba continua sendo superior, de 3,2 mil. O México também tem um consumo superior.
Em outro estudo publicado pelo prestigioso Instituto Internacional de Pesquisas de Políticas de Alimentação, o Brasil aparece como um dos nove países que registraram o maior avanço no combate à fome desde 1990.
O índice é formado por três indicadores: proporção da população malnutrida, número de crianças abaixo do peso e mortalidade infantil. O Brasil conseguiu reduzir seu problema em 52,5%. A taxa da população que passa fome caiu de 10% para 6% em 20 anos.
(Jornal do Commercio).
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