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Ficha limpa só na próxima semana

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Brasília – Para driblar a sucessão de manobras lançadas pelos deputados que temem o projeto da Ficha Limpa, a Câmara levará a proposta direto a plenário para que os eleitores conheçam os parlamentares que apoiam e os que tentam engavetar a sugestão.
A aprovação do regime de urgência para levar a iniciativa a apreciação sem exame da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é a última esperança para tentar aplicar o Ficha Limpa nas próximas eleições.

O presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou que o pedido de urgência será votado na próxima terça-feira. No mesmo dia, a matéria deve ser analisada em sessão extraordinária. Líderes do PT e do PMDB que se recusaram a assinar a urgência apoiaram ontem o envio da proposta a plenário. Se o Ficha Limpa não for aprovado e sancionado até 6 de junho, não valerá para este ano.

Contrário à iniciativa, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) argumenta que a proposta pode funcionar como arma para que suplentes mal intencionados possam tomar o mandato dos titulares. “Isso é entregar o parlamento na mão do Ministério Público. O suplente vai arrumar uma estratégia para incriminar o titular e assumir o mandato.

Eu já avisei o (José) Genoino: se o projeto passar aqui, ele está perdido comigo. Vou arrumar uma treta e em 90 dias vou cassá-lo.” Ele afirmou que apresentará emenda em plenário determinando que o partido,e não o candidato, seja punido.

O texto foi apresentado ontem pelo relator da proposta na CCJ, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), mas a comissão não discutiu o relatório.

Um pedido de vista pedido pelos deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Maurício Quintella (PR-AL), Ernandes Amorim (PTB-RO), Vicente Arruda (PR-CE) e Regis de Oliveira (PSC-SP) impediu que a versão apresentada pelo relator fosse votada ontem. Os defensores do Ficha Limpa atacaram o pedido de vista. “Nós tínhamos 80% da comissão. Se fosse votado, seria aprovado”, lamentou o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA).

José Eduardo Cardozo manteve a emenda do líder doPT na Câmara, Fernando Ferro (PE), que concedia direito a efeito suspensivo a parlamentares que ganhassem liminar judicial para permitir o registro da candidatura.
A emenda, no entanto, foi parcialmente modificada, incluindo dispositivo que prevê efeito suspensivo só para candidatos cuja liminar seja concedida por colegiado de magistrados que cuidam de seu processo. O relatório de Cardozo também aponta a necessidade de análise prioritária dos processos.
(Diário de Pernambuco).