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A Voz da VitóriaA Voz da Vitória

Fé e voto

  • A Voz da Vitória
por Hely Ferreira* 
Os últimos dias que antecederam o primeiro turno das eleições presidenciais foram trazidos ao centro do debate, alguns temas que até então estavam no limbo.
O grande problema é que na reta final do pleito parecia mais que se estava elegendo um líder religioso do que um chefe de Estado e de Governo, já que no presidencialismo é assim que funciona.
Grande parte da discussão tinha adesão de grupos religiosos como a CNBB e as igrejas evangélicas, principalmente as de origem pentecostal. Entretanto, o nosso artigo terá como ponto principal, uma breve reflexão ao segundo grupo mencionado.
É bem verdade que, os Huguenotes e os holandeses tinham raízes reformadas, mas de forma organizada e institucional, foi o Reverendo Robert Kalley quem em 1855, chegou ao Brasil e deu início ao trabalho de evangelização. Em 12 de agosto de 1859, desembarcou no Rio de Janeiro o jovem Reverendo Ashbel Green Simonton, também presbiteriano, embora Kalley tenha vindo para o Brasil por intermédio das missões da Igreja Congregacional.
Durante o século XX, foi que o movimento pentecostal veio para o Brasil, mas precisamente entre o final de 1910 e o início de 1911, quando aqui chegara o missionário Luigi Francescon criando a Congregação Cristã do Brasil e logo em seguida a Assembleia de Deus por intermédio de Daniel Berg e Gunnar Vingren.
Há quem acredite que o crescimento da participação dos protestantes oriundas de denominações tradicionais e agora dos evangélicos pentecostais e neopentecostais na política brasileira, esteja atrelada ao surgimento de vários grupos. A militância partidária de membros de igrejas com raízes pentecostais é algo novo no Brasil, vez que, se argumentava que a preocupação do cristão era com coisas celestiais, e não com as “coisas do mundo”. Desconsiderando raízes históricas onde em outros países como a Suécia, o engajamento político é algo antigo, como exemplo se tem o Petrus Lewi Pethrus, precursor do pentecostalismo naquele país e fundador de um partido político.
Trazer para o centro do debate presidencial temas como o aborto, é tripudiar da capacidade de entendimento do eleitor, já que o tema pertence muito mais ao Congresso Nacional. Isso não elimina o posicionamento dos cristãos, mas não se deve esquecer que com muita dificuldade, há um esforço para que se viva em um Estado democrático de direito e não em uma Teocracia, já que os reformadores defendiam a separação entre Igreja e Estado.
Será que alguém lembra a importância data do dia 31 de outubro para o cenário histórico mundial?
por Hely Ferreira,
Cientista político.