
Servidor concursado há duas décadas, Wagner de Demarcação afirma que mudança de função tem motivação política e provoca reação na Mata Sul
O ambiente político em Amaraji, na Mata Sul de Pernambuco, entrou em ebulição após o ex-vice-prefeito Wagner Magal Medeiros de Oliveira, conhecido como Wagner de Demarcação (PSB), ser designado para atuar na limpeza urbana do Município. A decisão, segundo ele, representa uma clara retaliação política por parte do grupo que comanda atualmente a Prefeitura.
Servidor efetivo há cerca de 20 anos, Wagner afirma que jamais exerceu a função de gari ao longo de sua trajetória no serviço público. Concursado para serviços gerais, ele sempre desempenhou atividades em outros setores da administração, como vigilante em unidades da rede municipal de ensino, mas nunca foi lotado na limpeza urbana.
A determinação para que ele passasse a varrer ruas partiu da subprefeitura do Distrito de Demarcação, onde Wagner reside. O cargo é ocupado por Weverton Ozéas da Silva, indicado pela atual gestão e filho do vereador Deinha de Demarcação, presidente da Câmara Municipal e aliado direto do prefeito Araújo. Para o ex-vice-prefeito, essa relação reforça o caráter político da decisão.
Com histórico relevante na vida pública local, Wagner já ocupou mandatos de vereador e vice-prefeito, além de ter assumido a chefia do Executivo municipal interinamente em duas ocasiões: por 14 dias em 2023 e por sete dias em 2024. Ele foi eleito vice-prefeito em 2020, compondo a chapa liderada por Aline Gouveia, que governou Amaraji até o fim de 2024.
Na segunda-feira (19.01), moradores se surpreenderam ao ver o ex-vice-prefeito realizando serviços de varrição nas ruas do Distrito. A cena rapidamente ganhou repercussão política e social. Wagner declarou que a intenção da gestão é expô-lo e humilhá-lo, mas ressaltou que está cumprindo a determinação sem se furtar ao trabalho. Segundo ele, apesar do constrangimento, “todo trabalho é digno”.
O caso deve continuar repercutindo nos próximos dias, tanto no meio político quanto entre os moradores, e pode gerar questionamentos administrativos e jurídicos sobre desvio de função e assédio institucional no serviço público municipal.
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