Folha PE
Responsável por mais de 90% do transporte de mercadorias e pessoas, as rodovias são fundamentais para o desenvolvimento de Pernambuco. No entanto, atualmente, 88 obras de construção e restauração da malha viária do Estado estão “paradas” – sequer saíram do papel – ou classificadas como “paralisadas”, quando as intervenções começam, mas param no meio do caminho. Segundo relatório “Cenário de Obras” do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER-PE), os projetos somam cerca de R$ 385 milhões.
A obra paralisada mais cara da relação é a de implantação e pavimentação da VPE – Três Ladeiras, no trecho entre a PE-41, na Usina São José até o município de Itaquitinga. A rodovia tem uma extensão de R$ 25,75 quilômetros (km) e está orçada em R$ 36,2 milhões. De acordo com o DER-PE, a pista que oficialmente deveria ser entregue no próximo dia 1º de maio está com os trabalhos de construção interrompidos, desde maio de 2014, por causa da “precipitação pluviométrica na região”.
Pelo motivo contrário, a falta de chuvas paralisou as obras de implantação, pavimentação e restauração do trecho da PE-193, entre São Bento do Una e a entrada de Caetés, na BR-424. A rodovia deve ter um custo total de R$ 34,4 milhões. A expectativa é que ela seja concluída na primeira quinzena de julho. Aguardando a liberação de recursos, está o projeto de restauração da PE-217, na etapa que liga Pesqueira a Venturosa, também no Agreste. A via tem um custo inicial de R$ 12,2 milhões.
Na lista de obras paradas está a execução dos serviços de reparação na BR-232, no trecho entre o km 4,7 e o km 12, e as alças da BR-101/BR-232, em São Lourenço da Mata. As intervenções orçadas em R$ 3,7 milhões deveriam ter sido concluídas antes da realização da Copa do Mundo Fifa 2014.
Para o professor da Faculdade Boa Viagem (FBV) e consultor em logística, Marcílio Cunha, o alto número de empreendimentos “empacados” aumenta ainda mais a preocupação do setor produtivo. “Para a economia isso contribui para um cenário ainda mais pessimista. Infelizmente, a expectativa não é nada boa, porque não há recursos disponíveis para retomar essas construções ou restaurações de estradas”, lamentou o docente. O DER-PE foi procurado pela reportagem, mas até o fechamento da edição da Folha de Pernambucodesta terça-feira (14) não havia se pronunciado.








