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Recife

Espiritualidade e participação popular

  • Marcio Souza
Espiritualidade e participação popular

por Hely Ferreira

Falar de temas ligados diretamente ao que costumamos chamar de política tornou-se algo irrelevante para a maioria da população que vive no Brasil. Não foi por acaso que a Universidade Nacional de Brasília (UNB), através de pesquisa, concluiu que no jornal impresso, o caderno de política é o menos lido.

Há quase que uma orquestração de que política não é para pessoas de bem, portanto, o cristão não deve participar. Ideias assim não corroboram com a proposta dos reformadores, já que tiveram uma vida engajada nas questões sociais da época. O grande problema é a prática equivocada de muitos cristãos, defendendo que os detentores de mandato, devam construir uma agenda, voltada exclusivamente para os que corroboram da mesma fé. Deveriam aprender com Madison que afirmava que trabalhava para o povo com o intuito de glorificar a Deus.

Nos últimos tempos, quase que constantemente se tem falado da necessidade da ética na política, ocorre que, para os gregos era algo inerente. Porém, no mundo moderno em especial com Maquiavel, o entendimento passou a ser de que andam separadas. A influência foi tão acendrada que Sartre afirmou que quem entra na vida pública, quando sai, ou sai com as mãos sujas de lama ou de sangue.

Falando em democracia, não se deve pensar em um regime sem participação popular, embora Platão tenha dito que a democracia é a mais bela forma de tirania criada pelo homem. De todos os reformadores, Calvino foi quem mais participou da vida pública, criando um modelo de governo que influenciou o que hoje é chamado de parlamentarismo.

O grande desafio é como aplicar as teorias sociais no Brasil, já que temos uma sociedade apática, não tem sido por acaso a afirmação de que aqui não se tem como utilizar as idéias de Weber, Marx, Hegel ou qualquer outro. Quem desejar entender a sociedade brasileira deve buscar interpretações pelo Carnaval, jogo do bicho, saudade, futebol e outras coisas, mas nunca pelas teorias sociais.

 

 

por Hely Ferreira,

Cientista Político.