Publicado em 02.07.2009
O Grupo Escolar Municipal Mariana Amália, em Vitória de Santo Antão, que teve material didático jogado em lixo, no Recife, tenta organizar acervo para melhorar aprendizagem de 1.450 estudantes
Pegos de surpresa e chocados. Assim, professores e diretores de pelo menos duas das cinco escolas de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, receberam a notícia de que pelo menos quatro mil livros didáticos destinados às instituições de ensino foram encontrados no lixo, no Recife, ainda com a embalagem lacrada, conforme denunciou ontem o JC.
Não falta material didático, mas em uma delas – o Grupo Escolar Municipal Mariana Amália – a atual gestão vem equipando, com sacrifício, a primeira biblioteca da unidade, que tem 1.450 alunos.
O grupo escolar e o Caic Diogo de Braga – outra das unidades para onde deveriam ser levados livros que estavam no lixo – são as duas maiores de ensino básico em Vitória. Elas têm cerca de 3 mil alunos. Na Mariana Amália, a direção escolar não fazia ideia de como o material foi parar na Avenida Norte, em Santo Amaro, área central do Recife. “Pelo que vimos na reportagem, os livros estavam ultrapassados pedagogicamente, mas acredito que muitos poderiam ser aproveitados em nossa futura biblioteca. Porque, embora passem por alterações, muitos trazem informações que podem servir de pesquisa”, afirmou a coordenadora pedagógica da unidade e professora do local há 12 anos, Suely Ramos.
Sem saber explicar o que poderia ter acontecido e evitando críticas à Secretaria Municipal de Educação, as professoras lamentaram o desperdício. “Como educadora, me surpreendo. Ainda mais para nós, que brigamos pelo acesso à educação”, ponderou.
No Caic Diogo de Braga, onde estudam 1.507 alunos, também não faltam livros, apesar do aspecto de abandono do prédio (cadeiras são usadas para travar portas, no lugar de fechaduras). A direção da unidade também não soube explicar o que aconteceu e lamentou o destino dado ao material, repassado pela secretaria ao Hospital de Câncer. “A doação dos livros foi feita de maneira responsável pela secretaria, já que não havia como aproveitá-los nas escolas, mas a destinação dada pelo Hospital de Câncer foi equivocada”, afirmou a supervisora pedagógica Iara Carvalho.
EXPLICAÇÃO
O Ministério Público vai convocar o atual prefeito de Vitória, Elias Lira (DEM), para dar explicações sobre os livros didáticos doados pelo Ministério da Educação (MEC). A promotora de Defesa do Patrimônio Público de Vitória, Maria Amélia Gadelha, instaurou procedimento de investigação preliminar.
Só depois de ouvir os esclarecimentos do gestor municipal, ela decide que medida adotará.
O jornalista Marcus Prado, membro do Conselho Estadual de Cultura e natural de Vitória, criticou a atitude da Secretaria de Educação. Hoje, na reunião do conselho, ele vai pedir que o órgão exija explicações do atual prefeito e do seu antecessor José Aglaílson (PSB).
(Jornal do Commercio).
Matéria Vinculada:
Montanha de livros de Vitória de Sto. Antão no lixo






