do Jornal do Commercio
Márcia Vieira
Agência Estado RIO – Bullying, palavra em inglês que define todo tipo de preconceito e violência entre crianças e adolescentes nas escolas, atinge indiscriminadamente todas as classes sociais. “Escola que anuncia não ter bullying está fazendo propaganda enganosa”, diz a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva.
Ela lançou um livro sobre o assunto. Bullying – mentes perigosas nas escolas traz esclarecimentos sobre o fenômeno.
Ela lançou um livro sobre o assunto. Bullying – mentes perigosas nas escolas traz esclarecimentos sobre o fenômeno.
AGÊNCIA ESTADO – A senhora diz que bullying existe desde que a escola existe. Mas houve um aumento dos casos?
ANA BEATRIZ BARBOSA SILVA – Bullying é um fenômeno típico das relações humanas. Agora percebemos mais porque estudamos mais o assunto.
AE – Quais as características das vítimas e dos agressores?
ANA BEATRIZ – As vítimas geralmente são crianças que estão fora do padrão: gordo demais, magro demais. Os motivos dos agressores variam: ele pode reproduzir a violência do lar onde mora, pode estar numa situação circunstancial de revolta porque os pais estão se separando, por exemplo.
AE – Quem mais aparece no seu consultório: agressores ou vítimas?
ANA BEATRIZ – Vítimas. A primeira coisa que eu faço é mostrar que não há nada de errado com elas. Hipersensibilidade não é doença. Muitas vezes as crianças chegam pedindo desculpa por serem tímidas.
AE – Em que tipos de colégios há mais chance de bullying?
ANA BEATRIZ – Todos. O bullying é democrático. Acontece tanto na escola particular quanto na pública. O que faz uma escola ser boa é como ela vai lidar com o bullying.
AE – A escola particular lida melhor do que a pública nesses casos?
ANA BEATRIZ – Não. De um modo geral, na escola pública há uma postura mais adequada. A direção está mais orientada para encarar o problema. Se não consegue resolver, chama o Conselho Tutelar. A escola particular não admite o problema porque teme a propaganda negativa. Ou expulsa o agressor, ou diz para o pai da vítima: “seu filho é sensível demais”. Geralmente quem é convidado a se retirar da escola é o sensível.
AE – A senhora recomenda que os pais tirem os filhos da escola nesses casos?
ANA BEATRIZ – Nós tentamos tudo para mudar a cultura naquele micromundo escolar, porque só assim a gente muda a sociedade. Quando eu vou nas escolas falar sobre algum paciente que é, por exemplo, vítima de apelidos maldosos, geralmente ouço: “Mas, doutora, é brincadeira!” Se é brincadeira, todos deveriam se divertir. Quando é bullying, um grupo se diverte às custas da humilhação de outros. Se a direção não faz nada e a criança começa a sofrer demais, eu recomendo que ela saia da escola, mas também sugiro que a escola seja acionada juridicamente para pagar o tratamento. Já conseguimos duas vezes.







