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Entrevista // Fernando Ferro

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“O desespero está impresso na fala de Guerra”

Por que o PSDB reagiu com tamanha severidade às declarações de Dilma?

Primeiro, acho que é o desespero que está impresso na fala do senador Sérgio Guerra. É a paranoia política. Ele mesmo fala, nos comerciais de televisão, que é o autor de projetos para o estado. Ele é uma espécie de 171 político. Diz que trouxe Suape, refinaria, (duplicação da) BR-101.
Ele está falando das obras do governo, mas vai para a imprensa e diz que o PAC não existe. Outra hora dizem (o PSDB) que o governo de Fernando Henrique (ex-presidente do PSDB) está sendo continuado por Lula. Ao mesmo tempo, dizem que o governo não existe. Quer dizer, desqualificam o que eles dizem no debate político. É contradição concreta.

Por que isso ocorre?

Eles não têm um eixo político para enfrentar nossa gestão. O que se espera de alguém que vai disputar a presidência? Era dizer: “temos tal programa, vamos fazer tais coisas, criticamos o programa deles por isso e isso e vamos fazer diferente. Eles vão entrar numa eleição sem programa político. A gente vai fazer uma campanha com debate sobre o que sabemos que a população está respeitando e aprovando.

O PSDB não estaria preocupado em evitar, como ocorreu em 2004, ser apontado como o partido que vai acabar com programas federais e privatizar intituições públicas?

Na verdade, eles queriam e querem privatizar. Mendonça de Barros, um economista tucano, falou, em novembro, que era favorável à privatização da Petrobras. Eles chamavam o Bolsa Família de bolsa esmola. Cansaram de dizer isso e depois recuaram porque viram que isso não estava colando. Acho que é desespero de um agrupamento político sem eira nem beira.
O que eles vão tentar, como fizeram outras vezes, é atacar a imagem do presidente Lula moral e politicamente para tentar desqualificá-lo. É um comportamento profundamente desesperado de alguém que não sabe o rumo da disputa.
Eles não conseguiram superar o trauma da saída de Aécio (Neves, governador de Minas Gerais que estava no páreo para disputar a presidência). José Serra está inseguro, não sabe como fazer. Eles estão procurando um caminho para a disputa. No fundo, isso reflete exatamente a desorientação deles.

O PSDB rechaça a campanha plebiscitária, da comparação entre FHC e Lula…

Temos obrigação de comparar os oito anos deles com os oito anos da gente. Dessa, eles não escapam. Só se forem fazer eleição na lua. Aqui vão dar de cara com a comparação. E isso é que é o grande desespero deles. Quando se compara, a gente os devasta politicamente. (JN)
(Diario de Pernambuco).