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ENTREVISTA – FÁBIO GIAMBIAGI – Receitas para o Brasil

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O economista Fábio Giambiagi é um dos organizadores do livro 2022 Propostas para um Brasil Melhor no ano do Bicentenário, a ser lançado amanhã às 17 horas no Restaurante Banquete, na Rua do Lima. Ex-assessor do Ministério do Planejamento, ele é chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES e frisa “que as suas opiniões são independentes” da instituição.


JORNAL DO COMMERCIO – O Brasil vive um bom momento econômico. Mas o que pode ser feito para que o País chegue melhor e de uma forma mais desenvolvida a 2022 ?

FÁBIO GIAMBIAGI – Há três respostas muito claras para isso. Primeiro, ampliar o investimento, o que está ligado à ampliação do investimento público, que por sua vez requer uma maior poupança pública. Segundo, melhorar a educação, que deve se tornar uma prioridade efetiva das políticas públicas, e, por último, reduzir a taxa de juros, melhorando a situação das contas públicas, para que o País possa reduzir ao longo do tempo o peso da dívida pública e consequentemente a taxa de juros.

JC – No ano passado, o País cresceu mais de 7% ao ano. O atual crescimento do Brasil é sustentável?

GIAMBIAGI – Um crescimento de 5% ao ano não é sustentável. Entendemos que há condições de crescer entre 4% e 4,5% ao ano, em média, na atual década, mas isso requer melhorar a produtividade, que deixa a desejar.

JC – Na opinião do senhor, que influência o pré-sal vai ter no desenvolvimento do País na próxima década?

GIAMBIAGI – Terá uma influência decisiva, pelo peso significativo do setor de petróleo e gás nos investimentos planejados para os próximos 10 anos. Ao mesmo tempo, temos que evitar os malefícios da “maldição da abundância fácil” que tantos problemas trouxe para outros países premiados com a existência de petróleo no seu solo ou no seu mar, mas que não souberam com isso desenvolver outros setores.

JC – Na semana passada, saiu uma matéria no Financial Times dizendo que está ocorrendo a formação de uma bolha na economia brasileira, falando inclusive da supervalorização de preço dos imóveis no Brasil. O senhor concorda?

GIAMBIAGI – Essa deve ser uma preocupação permanente das autoridades. Entendo que ela está por trás da decisão do Banco Central de aumentar a taxa de juros nos primeiros meses de 2011, justamente tentando evitar a formação dessa bolha. Eu diria que a euforia de 2010 trazia o risco, se continuada, do surgimento de uma bolha e agora o governo federal está reagindo diante desse risco, reação que me parece salutar.

JC –
Quais são as principais tendências do futuro para a economia brasileira em 2022 ?

GIAMBIAGI – Creio que teremos uma década dominada pelos investimentos ligados aos setores de petróleo, à infraestrutura e às atividades relacionadas com a mudança de perfil etário da sociedade brasileira. De forma simbólica, como teremos menos bebês e mais idosos, pode-se dizer que teremos uma menor fabricação de roupas para criança e um maior peso das atividades ligadas, por exemplo, à saúde, claramente mais demandada pelo contingente populacional de 60 anos ou mais.

JC – No livro, há um capítulo sobre a previdência, considerada um grande problema no futuro do Brasil. Dá para conter o déficit da previdência do País ?

GIAMBIAGI – Para isso, quando a economia passar a crescer menos, seria importante que o período de permanência dos trabalhadores na fase contributiva para o sistema fosse gradualmente ampliado, mediante a aprovação de uma reforma previdenciária. Com isso, seriam estipuladas novas regras de aposentadoria para os que ingressarem posteriormente no mercado de trabalho e definida uma regra de transição suave para aqueles que já formarem parte da população de ativos, levando a um ajuste do número de anos de contribuição tanto maior quanto mais jovem for a pessoa.