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Enfermeiros sob risco

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Após denúncias de consumo de drogas entre os profissionais da área, Coren-PE fará um mapeamento

Plantão da noite em um hospital pernambucano. Um dos enfermeiros passou mal. Sofrendo convulsões, ele caiu no chão durante o expediente e precisou ser socorrido pelos colegas. No seu bolso, um frasco de dolantina, medicamento opioide capaz de aliviar a dor e provocar sonolência. O enfermeiro foi afastado do trabalho. Cargas horárias extensas, estresse e fácil acesso a psicofármacos deixam os profissionais de saúde mais vulneráveis ao consumo e à dependência de drogas. A extensão do problema, no entanto, permanece desconhecida. Por enquanto.
Em parceria com o grupo Levanta-te Consultoria e Aconselhamento em Dependência Química e a empresa Exatta, o Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) fará um mapeamento do consumo de drogas lícitas e ilícitas entre a classe de enfermagem, como o álcool, anfetaminas, benzodiazepínicos, cocaína, crack e medicamentos ansiolíticos. Em Pernambuco há mais de 50 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.
Com base em uma amostra de 500 profissionais queatuam em 11 cidades da Região Metropolitana do Recife e arredores, a pesquisa irá quantificar o problema. Para assegurar a veracidade das informações fornecidas e preservar a identidade dos profissionais, os questionários serão autopreenchíveis e sigilosos. A previsão é que a pesquisa de campo comece ainda nesta semana e que os resultados sejam catalogados até o dia 25 de abril.
´O objetivo é dimensionar a problemática. A maior parte dos municípios incluídos na pesquisa estão na Região Metropolitana do Recife porque é lá que está o maior número de profissionais de enfermagem`, disse o coordenador do grupo Levanta-te, Maxwell Rodrigues dos Santos. As cidades incluídas são Recife, Olinda, Paulista, Jaboatão, Camaragibe, São Lourenço da Mata, Vitória de Santo Antão, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Itapissuma.
Prejuízos no desempenho da função, perda de compromissos de trabalho, confusão em relação aos medicamentos que devem ser administrados ao paciente e outros erros na execução das atividades hospitalares são algumas das consequências que a dependência, ou a adicção, como o psicólogo Normando Alves Siqueira prefere dizer, podem provocar no profissional de enfermagem. Mas, em alguns serviços de saúde, o assunto continua sendo tratado como um tabu. E o medo da exposição acaba dificultando a procura por ajuda.
´Já vi casos isolados de uso de medicação, mas não se conversa sobre isso`, disse Fábia Lima, enfermeira do Hospital Universitário Oswaldo Cruz com 13 anos de experiência. A presidente do Coren-PE, Célia Arribas, conta que é enfermeira há 30 anos, trabalhou em hospitais de Limoeiro e Jaboatão durante muito tempo e já precisou mandar profissionais alcoolizados de volta para casa. ´Eles não tinham condições de trabalhar`, disse Célia Arribas, que completou: ´o próprio ambiente hospitalar é muito propício a essas coisas`.

(Juliana Colares – Diario de Pernambuco)