
DIVULGAÇÃO TÍMIDA: população não tomou conhecimento da Audiência dos Resíduos Sólidos convocada pela Câmara e Prefeitura da Vitória. Foto: Portal Câmara de Vitória.
Por Elias Martins
Na última sexta-feira, 16 de janeiro, ocorreu uma audiência pública para discussão da instalação do aterro sanitário em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata.
Prepare-se para ver números que vão lhe fazer cair a queixada!
Como já relatei em outra matéria, o governo de Vitória, prefeito Elias Lira (PSD), fechará os seis anos de mandato consecutivos, tendo arrecadado algo em torno de R$ 857 milhões de reais.
Desses, na Função Urbanismo, Vitória de Santo Antão gastou nos seis anos até 31 de outubro, R$ 99.284.030,25, estando programado para fechar com R$ 112.634.475,88.
Para cumprir sua programação de despesas nesta função, há um comprometimento de quase um mês da receita municipal, faltando apenas dois meses para o final do exercício.
O que podemos destacar nestas despesas?
Infra-Estrutura – Aí estão as praças, os asfaltos, calçamentos e tudo que se relaciona a infra-estrutura municipal. Segundo o relatório, foram gastos em 05 anos e 10 meses, apenas R$ 15,6 milhões, dos quais R$ 3,3 milhões aguardavam pagamento até dezembro. Do total gasto no período, em 2014 foram R$ 9,7 milhões, quase o dobro do que se gastou em cinco anos anteriores de governo. Detalhe, grande parte destes recursos foram próprios. De onde de repente surgiu tanto recurso para investimento, se o município vem apresentando comportamento financeiro, mostrando que poderiam ter sido feitos muito antes?
Serviços Urbanos – Nesta despesa estão concentradas todas relativas em especial à Limpeza Urbana (Lixo). O mesmo relatório afirma que foram gastos no mesmo período, R$ 56,6 milhões, dos quais R$ 6,6 milhões aguardavam pagamento até dezembro. O Diário Oficial do Estado em 11.03.2014, aponta que o município firmou contrato de Limpeza Pública com a LOCAR, no valor de R$ 10,5, porém do dia 31.10.2014 o relatório municipal apontava para despesas autorizadas em R$ 14,2 milhões.

Foto: Luciano Abreu/Prefeitura da Vitória
Temos notícias de que para o recolhimento do lixo vitoriense, a LOCAR utiliza apenas 06 caminhões, um investimento de algo em torno de R$ 1,5 milhão em veículos novos.
Quantos garis e motoristas seriam necessários para manter nossa cidade limpa? São quase mil ruas. Se considerarmos algo em torno de 150 garis + motoristas e gerenciamento, mal se gastaria R$ 2,5 milhões/ano. Já existem equipamentos que propiciam a redução destes gastos em pessoal pela metade. E a cidade agradeceria.
O projeto que foi à audiência pública na Câmara de Vereadores da Vitória, prometeu entregar a administração do aterro à empresas particulares. Detalhe: O município vai doar o terreno. A empresa vai fazer a reciclagem do que puder, e faturar milhões em cima disso. E o Município? Continua arcando com a coleta, quando a empresa do aterro devia fazer o trabalho em contrapartida (esta novela já presenciamos com o caso da Zona Azul no Centro de Vitória). Novamente alguém vai enriquecer as nossas custas. A Câmara vai autorizar esta pouca vergonha?
Para complementar tem uma tal de Administração Geral na conta Urbanismo, e nela são classificadas despesas com pessoal, material de uso, e aquisição de bens duráveis. Nos últimos 05 anos e 10 meses a administração que aí está já gastou R$ 39,6 milhões, dos quais 7,4 milhões autorizados e R$ 4,1 já pagos em 2014. O interessante é que sempre a maioria deste volume está ligado a despesas com pessoal, onde a quase totalidade das obras são terceirizadas. Como se gastar R$ 6,6 milhões em média por ano em Administração Geral, onde se tem um índice de terceirização tão alto?
Não há outra frase que mais se identifica com nossa Vitória de Santo Antão de hoje:
LIXO É LUXO !

Por Elias Martins, colunista do Blog.







