Visitas: 12

A Voz da VitóriaA Voz da Vitória
Recife

Em PE, políticas públicas de combate ao racismo exigem ação persistente

  • Marcio Souza
Em PE, políticas públicas de combate ao racismo exigem ação persistente

Marta Almeida, do Movimento Negro Unificado, e Mãe Elza de Yemanjá, da Caminhada dos Terreiros, são conselheiras do comitê estadual. (Foto: Anna Tiago/G1)

Comitês e coordenadorias traçam planos de políticas de igualdade racial. Na Polícia Militar, soldados recebem orientações para prevenir o racismo.

G1PE

Em Pernambuco, de janeiro de 2012 a julho de 2014, foram registradas 132 ocorrências de discriminação racial, de acordo com dados da Polícia Militar. Desses casos, apenas 14 foram parar nas delegacias e três foram flagrantes. Muitas vezes, os casos não chegam à delegacia porque o racismo nem sempre é reconhecido. “As pessoas tentam resolver na rua, mas isso atinge muito a pessoa negra e, infelizmente, acaba sendo deixado em segundo plano”, diz a delegada Marluce Ferreira. Mas tanto a polícia do Estado como a sociedade civil vêm abrindo os olhos para a questão da intolerância racial — e trabalhos promovidos pelas próprias instituições ou por setores dos gabinetes estaduais e municipais que monitoram e articulam atividades sobre o tema têm colaborado para isso.

Marluce Ferreira faz parte da turma de 100 delegados que participaram do curso de 40 horas chamado “Defesa Social, Relações Étnico-Raciais e Enfrentamento ao Racismo”, promovido pelo Comitê Estadual de Políticas de Igualdade Racial (Cepir). Levar à esfera policial a discussão sobre igualdade racial e tolerância religiosa é apenas uma das atividades coordenadas pelo Cepir. Criado em 2009, no primeiro ano de gestão do ex-governador Eduardo Campos, o comitê promove cursos, seminários, conferências, eventos e formação da sociedade civil e militar relacionados à cultura afro-brasileira.

O Cepir faz parte do Programa Pacto Pela Vida e é coordenado pelo secretário-executivo Jorge Arruda. Além dele, é formado por sete representantes do governo estadual (secretarias da Saúde, Educação, Juventude, Defesa Social, Direitos Humanos, da Mulher e Gabinete do Governador) e sete conselheiros do movimento negro, que representam o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Coepir).

“Durante 2008, a criação desse órgão já vinha sendo discutida, e o movimento social negro vinha exigindo a efetivação das políticas de promoção da igualdade racial”, conta Jorge Arruda, que também é presidente do Coepir. O comitê estadual articula com as demais secretarias como elas devem tratar a questão étnico-racial e faz o monitoramento das políticas públicas de promoção da igualdade racial, funcionando como uma espécie de ouvidoria dos movimentos negros. Os recursos para a realização de atividades e projetos vêm, em sua maioria, das secretarias parceiras. “Este ano, nós tivemos R$ 230 mil disponíveis para esse tema. Pode ser considerado pouco, mas o trabalho de articulação é mais poderoso”, garante o secretário.