Fruto de uma fragilidade acendrada tornou-se algo rotineiro as famosas alianças esdrúxulas no nosso regime democrático. Grande parte delas, nem mesmo Freud consegue explicar como acontece. Principalmente, quando a mesma visa à permanência, ou o “bom” andamento administrativo. É aí que surge a tão falada governabilidade, e em nome dela “tudo” é possível.
Há várias maneiras de fazer alianças. Muitas delas são efêmeras e totalmente desorganizadas. Na verdade, são coligações temporárias, criadas apenas para adquirir vantagens eleitorais, com o afã de derrubar ou sustentar algum governo. Talvez seja o caminho para se entender a postura adotada pela executiva nacional do Partido dos Trabalhadores em relação ao apoio a senhora Roseana Sarney e a uma possível aliança com o PMDB no Estado do Maranhão.
Em se tratando de uma necessidade de vitória, alguns princípios que antes eram bastante enaltecidos pelo PT, agora servem apenas como saudosismo. Quem não se lembra da dificuldade e das barreiras que eram criadas para alguém filiar-se ou para se formar uma aliança com o partido da estrela?
O compositor Chico Buarque, que nunca escondeu sua admiração pelo PT, jamais pensou que uma de suas canções estaria tão bem enquadrada em relação ao quadro atual em que vive o partido.
Parece-nos que muitos ainda se utilizam de um discurso puritano, como se fosse possível acreditar na velha bandeira defendida com tanta altivez.
Quem te viu quem te vê.

por Hely Ferreira,
*Cientista político.







