JÚLIA VERAS
Em 40 dias, 39 mulheres foram mortas em Pernambuco, segundo dados da Delegacia da Mulher, o que confere a soma de quase uma vítima do sexo feminino assassinada por dia. No mesmo período de 2008, foram 33 mulheres assassinadas. Apenas nesse último final de semana, foram quatro homicídios e, na madrugada de ontem, mais dois crimes vitimaram mulheres no Estado.
As seis mortes dos últimos três dias chamam a atenção pelos requintes de crueldade utilizados pelos assassinos.
No ano passado, 282 mulheres foram assassinadas em Pernambuco, enquanto em 2007 foram 273 crimes com vítimas do sexo feminino. Uma tentativa de violência sexual é a principal suspeita da polícia para o assassinato da empregada doméstica Rivaneide Epifânio de Melo, de 33 anos.
Na madrugada de ontem, o seu corpo foi encontrado na rua Pau Santo, na comunidade de Rosa Selvagem, no bairro da Várzea, Recife. Chamou a atenção de toda a vizinhança a violência com a qual a mulher foi assassinada. Golpes de faca e uma pancada desferida com um aparelho sanitário tiraram a vida da doméstica, que deixou uma filha de 10 anos.
O delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Humberto Ramos, afirmou que a hipótese mais provável é que Rivaneide tenha sido atraída para o local – em frente a um sítio onde existe uma casa abandonada -, mas tenha resistido à investida sexual do seu agressor. Com a recusa, o assassino desferiu um golpe com a bacia sanitária em sua cabeça, que estava em um monte de lixo que havia no local do crime.
“Ela provavelmente não morreu com a agressão e ainda tentou fugir cambaleando. Por fim, recebeu duas facadas no olho”, detalhou o delegado. Ramos também cogitou a possibilidade de haver mais de um criminoso na cena do crime. “A bacia sanitária, que estava suja de sangue, foi encontrada do outro lado da cerca do sítio, o que demandaria muita força para um homem só”, analisou. No local, ainda foi encontrado um preservativo e um short sujo de sangue.
A mãe de Rivaneide, a dona de casa Elisabeth Epifânio de Melo, não se conformava. “Eu sempre disse a ela que seguir certos amigos só dá em prisão ou cemitério. No fim, tive de vê-la em uma cena trágica como essa”, lamentou.
Ela contou que viu a doméstica pela última vez no sábado, quando a filha chegou do trabalho e se arrumou para ir a uma festa de Carnaval.
“Antes de sair, ela me disse que do bloco ela viria direto para Rosa Selvagem, onde ela tinha muitos amigos”, afirmou Elisabeth, que revelou, ainda, que a vítima era trabalhadora e sustentava a ela e a filha. “A patroa ia assinar a carteira dela essa semana, porque estava gostando do seu serviço”, disse a mãe da vítima. O caso será investigado pelo DHPP.
(Folha de pernambuco).







