Para inteirar a população Vitoriense sobre este projeto que também é realizado em Vitória de Santo Antão convidamos Rosa Félix, coordenadora do projeto no Município, Vanda Santos, Monitora do Programa Mova Brasil e o advogado Aristides Félix Júnior, articulador do Projeto em Vitória de Santo Antão.
Os quais vieram aos estúdios da Rádio Tabocas FM (98,5) e falaram no Programa A VOZ DA VITÓRIA sobre o desenvolvimento do Programa.
Acompanhe os pontos principais da Mesa Redonda:
Sobre o Programa
Segundo Aristides Félix, esse projeto é fundamental por se tratar de uma educação alternativa dirigida para a alfabetização de jovens e adultos.
“Países como a China, Japão e tantos outros que se acabaram nas guerras e hoje são grandes potenciais foi porque os governantes investiram maciçamente em educação”, pontuou.
“Essa equipe do Mova que está motivada e mobilizada juntamente todos os educandos e coordenadores e todas as pessoas que estão à frente de Pernambuco nesse Mova Brasil que é uma revolução no País organizado em pelo menos 10 Estados, sendo muito bom que esteja acontecendo em Vitória”, ressaltou Aristides.
Aristides informou que em 2008 foi definida uma meta para alfabetizar e formar 4800 turmas até 2011, cada turma tem em média 25 alunos mostrando a dimensão do programa e a preocupação do governo em alfabetizar jovens e adultos que estão fora da faixa de alfabetização normal.
“Nós sabemos que se as pessoas que não sabem ler e escrever e não sabem interpretar aquilo que está no cotidiano fica muito difícil arrumar um emprego”, salientou.
O advogado informou que em visita recente ao núcleo do Engenho Cachoeirinha que é composto basicamente de trabalhadores rurais e de pessoas que estão desempregadas foi notada a vontade enorme de aprender a ler e escrever de todos.
Aristides também disse que os moradores já estão entendendo e identificando outras necessidades como a falta de telefones públicos, transporte público, qualificação de mão de obra para as usinas, alunos que desejam tirar habilitação para trabalhar como motorista.
“Tudo isso é um celeiro de coisas importantes que começam a acontecer devido ao interesse de um governo que começou a se preocupar com a educação diminuindo os níveis de analfabetismo”.
“Só sabe o que é saber ler e escrever quando você não sabe e passa, a saber, é outro mundo e uma nova descoberta, é como se você se tornasse uma nova pessoa”.
“Esse programa há muito tempo que eu queria trazer para Vitória, mas não era possível, após acompanhar o programa por cinco anos, consegui através da interseção do deputado Fernando Ferro, trazer o programa Mova Brasil. Eu queria ao menos um núcleo e conseguimos ser contemplado com quatro, inclusive o núcleo prisional que está instalado no presídio da cidade”, declarou o advogado.
O desenvolvimento do programa
A Coordenadora do programa Rosa Felix informou que Vitória de Santo Antão conta com quatro núcleos do programa Mova Brasil e que cada núcleo tem 15 turmas com 25 alunos, localizados nas comunidades de Redenção, Sítio Figueira, Engenho Cachoeirinha, Alto José Leal, Jardim São Pedro e um núcleo prisional no Presídio do Município.
“Fizemos o Projeto Político Pedagógico discutindo com a turma situações significativas para essas comunidades, ou seja, os problemas que vivem cada comunidade e causa situações desfavoráveis, foram levados os temas para serem abordados e os conteúdos, os quais as professoras trabalham a realidade do educando”, contaram.
Seguindo o exemplo de Paulo Freire na sua filosofia de vida de lutar para que essas comunidades vejam novos horizontes que não conseguem ver só com as letras e sim estudando para viver a vida diária, é justamente aí que a gente pode dar uma perspectiva para que essas pessoas, a partir do Programa Mova Brasil vejam novos horizontes e tenham mais alternativas e dêem continuidade aos seus estudos.
“Trabalhamos com temas geradores e do tema principal tiramos sub-temas onde é debatido em sala de aula com os alunos, exemplo: família, violência, desemprego e outras situações do cotidiano das comunidades. E por isso que eles se motivam e comparecem as aulas”, defenderam.
Rosa informou que estão enfrentando problemas de evasão em função dos trabalhos temporários que acontecem no segundo semestre, então eles entram em imobilidade e depois retornam para sala de aula devido à questão de sobrevivência e que isso está previsto no programa.
Segundo Vanda que monitora do Mova Brasil, todos os alunos recebem o material didático necessário para um bom rendimento curricular. Quanto a remuneração o Mova também assina a carteira e paga uma remuneração justa a todas as pessoas que trabalham no projeto. Quanto as parcerias, a mesma exemplificou a Prefeitura Municipal que cede às salas de aulas, empresas que enviam cestas básicas para os alunos, a Fundação Altino Ventura que está se programando para fazer exames nos alunos que tem deficiência visual que atrapalha muito o aprendizado e outros.
“Cada vez que entramos na sala de aula é como se fosse uma experiência nova, pois os alunos depositam suas esperanças em nós monitores, pois não só trabalho a parte didática com os alunos. Todo o dia a dia da sociedade, vendo os pontos negativos e debatendo para ver o que se pode fazer para melhorar as condições de vida, o aluno se torna atuante em sua própria comunidade,” pontuou.
“A diferença básica é a metodologia aplicada, esses programas antigos, a preocupação deles era exclusivamente fazer com que o aluno aprendesse a ler e escrever o Mova, além de alfabetizar e preparar o aluno para fazer parte da sociedade questionando e propondo políticas públicas, fazendo com que o aluno se transforme em um agente de transformação”, completou.
“O que a gente percebe nesses meses do projeto foi uma nítida mudança nas pessoas que estão fazendo parte do projeto Mova Brasil, pessoas que estão deixando o hábito de ver TV e indo para as salas de aulas, pessoas que já estão percebendo as dificuldades de sua comunidade e procuram solução. Em fim, os alunos estão sendo cidadãos participativos em sua comunidade”.






