Visitas: 4

A Voz da VitóriaA Voz da Vitória

Dossiê de professores reprova escola pública

  • A Voz da Vitória

REDE ESTADUAL Na Semana da Educação, Sintepe fez documento e enviou ao governo. Docentes visitaram 163 unidades, 14,7% do Estado, e só não viram problemas em seis delas


A Escola Estadual Vila João de Deus, em Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho, está funcionando num galpão alugado desde 2006, quando o governo do Estado prometeu reformar a unidade. No fim de março, parte do forro de gesso do teto do segundo andar caiu e a água da chuva invadiu nove salas de aula. O espaço teve que ser interditado. O problema consta em relatório apresentado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), para marcar a Semana da Educação. Os dados foram encaminhados ontem ao secretário da pasta, Anderson Gomes.
Representantes do Sintepe visitaram 163 escolas da Região Metropolitana do Recife, além de Palmares (Zona da Mata Sul), Gravatá (Agreste) e Cabrobó (Sertão), ou seja, 14,7% do total de 1.107 unidades da rede estadual. Das escolas vistoriadas, apenas seis não apresentaram problemas.
Com as salas de aula interditadas na Vila João de Deus, as turmas da manhã tiveram que adotar o sistema de rodízio. Um grupo assiste às aulas três vezes por semana e outro, duas vezes. “Teremos que encontrar um jeito de repor o calendário. É uma pena esses problemas acontecerem, pois já conseguimos ganhos no aprendizado dos alunos e em ensinamentos de cidadania”, disse uma funcionária da unidade que pediu para não ser identificada. Além disso, a escola não tem espaço para lazer. “Fazemos apenas um intervalo para as merendas”, acrescentou a funcionária.
Em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, os alunos da Escola Pedro Barros Filho só podem assistir às aulas em dias de sol. Isso porque a unidade está 25 centímetros abaixo do nível da rua e toda vez que chove a água invade o pátio, impossibilitando o acesso às salas. “Semana passada, com as fortes chuvas, a água chegou a bater no nosso joelho”, relatou a aluna do 1º ano do ensino médio, Thaisy Martins, 17 anos, que ligou para o JC denunciando os problemas da unidade. A escola também aparece no relatório do Sintepe. Além disso, Thaisy reclama da falta de professores. “Não temos condições de continuar estudando nessas condições”, disse.
A diretora da escola, Josefa Medeiros, confirmou, ainda, que faltam professores para as disciplinas de matemática, português, física, filosofia e sociologia. “Alguns chegaram a ser nomeados, mas nunca apareceram para dar aulas”, explicou. A unidade tem 1.030 alunos matriculados nos 8º e 9º anos do ensino fundamental e nos três anos do ensino médio.

VANDALISMO

Em Olinda, a Escola Ageu Magalhães, na Vila Popular, sofre outro problema: a ação de vândalos. Muros e paredes estão pichados e a quadra não tem barras de futebol ou equipamentos para outros esportes, como vôlei ou basquete. Os alunos improvisaram duas barras de gol com pedaços de madeira e blocos de concreto.
Para piorar a situação, uma obra da Prefeitura de Olinda abriu um buraco na frente da escola, de onde sai água de esgoto. “Tem muito mosquito. Temos medo de que alunos, professores e funcionários fiquem doentes. O mau cheiro é muito forte e chega à escola”, acrescenta a coordenadora.

(Jornal do Commercio).