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A Voz da VitóriaA Voz da Vitória

Dia da Saudade

  • A Voz da Vitória

por Hely Ferreira*

Sou de uma geração em que a pegadinha no dia 1º de abril fazia parte da brincadeira nas escolas. Eu cresci, assim, com a informação de que a data é conhecida (pelo menos no Brasil) como o “dia da mentira”. Por outro lado, ela sempre foi uma data especial para mim, pois é justamente a data de nascimento da minha saudosa mãe, a mestra Hezir Bezerra. Os anos foram se passando e cada vez mais fui aprendendo que se existe um momento que as pessoas gostam que outros lembrem é justamente a data natalícia.
Há cinco meses, minha genitora partiu para a eternidade, mas seus ensinamentos, sua maneira de encarar a vida, estarão marcados para sempre em mim. Quem já perdeu a mãe para o outro lado, sabe muito bem que a sensação que se tem é de estar sozinho no mundo.
A saudade que sinto da sua presença é algo indizível. As lembranças de quando era criança, caminhando ao seu lado pelas ruas e praças da Vitória de Santo Antão, onde aprendi a amar a Deus acima de tudo, respeitar o outro sem tangenciar naquilo que acreditamos, buscar ser sempre justo e sincero.
Como eu gostaria que a data do seu nascimento tivesse o poder de transformar em mentira o seu falecimento, certamente a saudade constante já seria expurgada, mas como não é possível, vou tentando continuar o legado que ela deixou. Dentre alguns que ainda não mencionei, merece destaque o amor pelos netos e sei que o mais velho deles, por ter consciência segundo a teoria cartesiana, compartilha o mesmo sentimento do seu genitor.
Se há alguém que partiu aqui da terra com seus últimos desejos realizados, esse alguém foi Dona Hezir. Poderia enumerar vários, mas me atenho apenas a três: sempre desejou que eu me formasse em Direito, gostaria de ter mais de um neto, de preferência um casal, e uma vontade tremenda de voltar a Campina Grande, terra do seu pai. Tudo isso foi realizado em sua vida, tornando-a uma pessoa mais feliz. É com o estigma de sua felicidade que vou convivendo de forma dialética com a saudade.


Confesso que sempre achei o Dia das Mães mais uma invenção do capitalismo selvagem, apoderando-se da situação para obter lucro, mas sei que o ano em curso, se até lá estiver vivo (já que a morte, como os impostos, é o que temos realmente de certo), será o primeiro sem a presença dela. Parafraseando dois versos de uma canção de Sérgio Bittencourt, que minha mãe tanto gostava e relembrava do seu pai, me amparo também para dizer; “naquela mesa está faltando ela e a saudade dela está doendo em mim”.


por Hely Ferreira,

*Cientista político.