
DESCOMPASSO?: Desenvolvimento Econômico versus Desenvolvimento Social
por Helder Sóstenes
Ano eleitoral é assim: tempo de ter discurso afiado na ponta da língua. Com o Prefeito Elias Lira (PSD) não poderia ser diferente, por onde passa rasga sua nova retórica desenvolvimentista, chegando a dizer que dentro em breve nenhum vitoriense ficará sem emprego (!?). Antes que alguém me corrija me acusando de esquecimento, economicamente, com a chegada das “grandes empresas” como BR FOODS (conhecida como SADIA) e a KRAFT FOODS, o desemprego evidentemente deve ter caído e a economia deve por si, ter melhorado, e isso ninguém discute. A chegada de grandes empresas melhora sim a economia de uma cidade, além de dar uma melhor perspectiva de futuro a população.
Como então uma cidade pode ter discurso de desenvolvimento se ela esquece ou não cumpre um Plano Diretor, que para quem não sabe, é o instrumento básico em forma inclusive de lei, o qual orienta o Poder Público e a iniciativa privada (principalmente), na construção de espaços em determinada área. Via de regra, o Plano Diretor pode ou poderia restringir, por exemplo, a construção de edificações próximo às margens ribeirinhas, do Rio Tapacurá, ou mesmo, aterros e poluição do rio por empresas e residências. Além disso, poderia estabelecer regras de instalação de escolas, construção de parques, bibliotecas, policiamento, cobertura para incêndio, dentre outros.
Na construção deste instrumento, para que ele esteja de acordo com os anseios reais da sociedade, não só vereadores devem ser consultados, mas a própria população com auxílio, claro, de profissionais de áreas como: Engenharia, Biologia, Economia, Sociologia etc. pois este planejamento será para o futuro, retratando o sonho de ambição norteador daquela população.
Uma cidade que historicamente, prefeitos passam, e fazem vista grossa ao uso irrestrito do solo, dificilmente o desenvolvimento econômico retratará na prática as necessidades reais da sociedade. É como se escutar esta notícia pelo rádio sendo impedido de olhar in loco os principais problemas da cidade. Se fosse o contrário, poderiamos ver, por exemplo, uma feira-livre organizada, calçadas sem obstáculos, fiscalizações em obras sem alvará de funcionamento, inclusive próximo ao rio por conta das enchentes, não custa sonhar também em espaços destinados a ciclovias. Aí sim, poderia realmente afirmar aos quatro cantos que a política pública estava sendo realmente voltada ao desenvolvimento, sem ficar a mercê exclusivamente da doação de um terreno para instalação de uma ou duas grandes empresas, pois aí eu pergunto: O que adianta a economia multiplicar substancialmente se problemas históricos permanecem?
Ninguém quer que a cidade da Vitória de Santo Antão, se transforme em uma Jaboatão velha, que apesar de ter números recordes no Estado, em quantidade de empresas e arrecadação fiscal, não fez a tempo seu dever de casa em urbanizar adequadamente os espaços públicos, hoje se o fizer, fará a um alto preço. Ou se pensa o contrário?

por Helder Sóstenes,
Diretor do Jornal Correio do Interior. Colunista do Blog.







