Publicado em 01.03.2010
Senador acusa a Aeronáutica de “corporativismo”, por ter resistido a entregar ao Arquivo Nacional documentos da ditadura. Os papéis, antes tidos como “destruídos”, foram finalmente entregues
BRASÍLIA – O presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Cristovam Buarque (PDT-DF), acusou ontem a Aeronáutica de corporativismo por ter resistido a entregar para o Arquivo Nacional documentos sigilosos produzidos durante a ditadura militar. O jornal O Estado de S. Paulo revelou ontem que, no início de fevereiro, a Aeronáutica entregou ao Arquivo Nacional documentos que antes dizia terem sido destruídos. São 189 caixas com mais de 50 mil documentos acumulados entre 1964 e 1985, no período da ditadura.
O acervo contém fichas pessoais, relatórios de monitoramento, instruções a militares e papéis referentes à guerrilha do Araguaia. Também constam informações sobre Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Carlos Lamarca. Em 2006, a Aeronáutica chegou a comunicar à Casa Civil da Presidência da República a existência de um acervo com documentação genérica, mas negou que houvesse documentação sobre monitoramento, infiltração de agentes e perseguição política.
Cristovam anunciou ontem que vai levar o caso dos arquivos secretos para ser discutido na próxima reunião da Comissão de Direitos Humanos, marcada para quarta-feira (3). “Vou consultar os outros senadores para ver o que pode ser feito. Esses documentos têm que ir para as mãos de historiadores”, afirmou. “Não defendo a revisão da Lei de Anistia, mas não houve uma lei da amnésia”, completou.
Para Cristovam, as “Forças Armadas de hoje não têm nada a ver com a de 40 anos atrás”. “Mas há um corporativismo.”
Preso pela ditadura militar, o deputado José Genoino (PT-SP) comemorou a entrega dos documentos pela Aeronáutica. “O direito à memória e à verdade é um processo que tem que continuar. É um avanço positivo”, afirmou.
Preso pela ditadura militar, o deputado José Genoino (PT-SP) comemorou a entrega dos documentos pela Aeronáutica. “O direito à memória e à verdade é um processo que tem que continuar. É um avanço positivo”, afirmou.
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, criticou as Forças Armadas por “omissão” de documentos produzidos durante a ditadura. “Nada justifica essa omissão que é uma tentativa de modificar a história do Brasil. É um desserviço que temos que conviver, um desserviço à memória dos desaparecidos, que um dia precisa ser investigado”, disse, defendendo a aprovação – pelo STF – da abertura dos arquivos da ditadura.
(Jornal do Commercio).
(Jornal do Commercio).







