por Hely Ferreira
Está se tornando cada vez mais a preocupação das chamadas Igrejas oriundas do protestantismo histórico com questões de política partidária. Há um novo alvorecer nas comunidades. Durante um bom tempo quase que não se ouvia falar a respeito do assunto, mas em resposta ao quadro atual, onde cada vez mais o neo-pentecostalismo apresenta seus candidatos, provocou um despertamento em relação ao tema.
É impossível se falar em democracia sem que se reporte ao mundo grego, em especial ao que havia em Atenas. Embora houvesse limitações da representatividade, nem por isso os atenienses não via em seus representantes uma agenda voltada para possíveis soluções aos problemas da polis. O discurso paulino embora tivesse como alvo principal questões teológicas, nunca esteve apartado dos problemas sociais e essa postura não era algo novo, vez que os profetas do Antigo Testamento não arrefeciam em suas mensagens, relatando o caos social.
No ápice da Reforma, seus ideólogos tinham preocupação com os problemas políticos. É bem verdade que em relação a Lutero havia mais pessoas preocupadas em tirar proveito de suas ideias do que ele mesmo ter pretensões políticas. Com relação a Calvino não se pode dizer o mesmo, pois as suas passagens por Genebra tiveram uma acendrada participação nas questões administrativas da cidade, a tal ponto que influenciou o escocês John Knox. A participação do protestantismo histórico na política nacional é muito oscilante, em alguns momentos fora de extrema relevância consequentemente de muita luta, mas em outros, nem tanto.
Alguns grupos buscaram apoio nas entranhas do poder, visando uma pseudo sobrevivência e espaço na sociedade. O momento atual em que estamos às vésperas de mais um pleito, estaremos elegendo prefeitos e vereadores e, é bom lembrar, o seguinte: não devemos votar em alguém apenas por pertencer ao grupo religioso que se faz parte; banir a ideia de que o candidato tem que ser alguém que preste “socorro” a comunidade quando ela necessita (doar um ônibus para algum acampamento); entender que o Estado não é uma extensão da Igreja; expurgar o pensamento de que política não é negócio para crente.

Por Hely Ferreira,
Cientista Político.







