Blog do Inaldo Sampaio

A Comissão Nacional da Verdade concluiu ontem que o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu em decorrência de um acidente de carro na rodovia Presidente Dutra, em agosto de 1976, e não de um suposto atentado que teria sido praticado por agentes ligados ao regime militar de 64.
“Não há nos documentos, laudos e fotografias trazidos para a presente análise qualquer elemento material que sequer sugira que o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e seu motorista, Geraldo Ribeiro, tenham sido assassinados, vítima de homicídio doloso”, diz um dos trechos do relatório.
Segundo ele, o Chevrolet Opala, dirigido por Geraldo Ribeiro, se envolveu em um acidente com um ônibus da viação Cometa, perdeu o controle e se chocou com uma carreta na pista contrária. O relatório descarta a hipótese de que o motorista teria sido atingido por um tiro como afirmam alguns integrantes da Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo. O caso era objeto de investigação pela Comissão da Verdade desde 2012 quando o colegiado recebeu uma representação da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil.
Vale salientar que o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, morreu em 2005 absolutamente convencido de que não só JK, mas também Carlos Lacerda e João Goulart não morreram de morte natural e sim assassinados a mando da ditadura militar. A conclusão de que a morte de JK foi decorrência de acidente contradiz relatório da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo.
Num texto de 29 páginas, o seu presidente, vereador Gilberto Natalini (PT), concluiu que antes de bater no ônibus da Viação Cometa o motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, teria levado um tiro na cabeça.
“A cabeça de Geraldo Ribeiro não foi atingida por projétil expelido por uma arma de fogo”, diz um trecho do relatório da Comissão Nacional da Verdade. “O fragmento metálico que se encontrava no crânio dele era um cravo metálico utilizado para fixar revestimento de caixões”, acrescenta o relatório.







